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Julho 31, 2006
LIVING WITH WAR> ![]() pintura sobre papel / 2003 Batalha perdida com sabor de vitória Ao se deparar com um artista engajado é sempre bom permanecer com o pé atrás. Mas não devemos confundir artistas engajados com artistas conscientes. Estes últimos são mais críticos, têm uma posição mais livre e não se apegam às doutrinas dos dogmas políticos. Neil Young é um caso a parte pois ele transita com desenvoltura e liberdade própria nestes dois territórios sem se acorrentar a uma diretriz partidária específica. Figura de proa do rock´n´roll, ele nunca hesitou em posicionar sua arte frente ao mundo em seu redor. Atacou sem dó nem piedade o presidente Nixon na canção Ohio (1970) e nos anos 1980 não escondeu de ninguém sua simpatia pelas políticas do presidente Reagan. A musica de protesto teve o seu auge nos anos 1960 e atualmente ela quase não faz mais sentido. O público, simplesmente, não dá mais a mínima para isso e nos dias de hoje o pensamento ¿politicamente correto¿ faz com que se torne um pecado mortal ter uma opinião que vá de encontro aos seus mandamentos. E os artistas sobreviventes e que um dia foram representantes da ¿cultura de protesto¿ ou ficaram datados ou caíram fora desta seara. Mas aí, em 2006, com o conservadorismo e o bom-mocismo em alta no mundo (seja à direita, seja à esquerda), vem o ¿veterano de guerra¿ Neil Young com um álbum chamado Living With War. E o que ouvimos é uma saraivada de impropérios contra a guerra e, principalmente, contra Bush a quem ele chama de mentiroso, corrupto, bisbilhoteiro da vida privada dos cidadãos e, sem meias palavras, pede o seu impeachment. As mensagens, as referências contidas nas letras, tudo soa meio retrô e fora do tempo, mas, talvez, por isso mesmo e por incrível que pareça, Living With War é um disco surpreendente. É fácil se arrepiar com os climas da guitarra de Neil, com a sonoridade crua e eletrizada acopladas às palavras diretas que falam de bandeiras da liberdade desfraldadas ao vento; das luzes vermelhas das bombas que explodem; da busca por um líder para a nação e que pode ser um homem ou uma mulher, mas que seja íntegro e honesto; das orações pela paz; dos caixões com corpos de soldados voltando para casa; e as palavras mais duras do disco que são aquelas que pedem o impedimento do presidente. Living With War um álbum emocionante, mas no final de tudo fica um gosto amargo na boca porque nada disso que Neil fala nesse disco vai surtir algum efeito prático. As pessoas não se importam mais com canções de protesto e o próprio rock´n´roll, salvo raríssimas exceções, é hoje um patético arremedo daquilo que um dia ele já representou. Por tudo isso e um pouquinho mais, Living With War é um trabalho corajoso feito por um dinossauro inquieto e que não se furta em expor a sua opinião. E isto é algo quase impossível de se imaginar em tempos de acomodação, conformismo e de posições politicamente corretas. Julho 21, 2006
Julho 17, 2006
PINK FLOYD
pintura sobre papel / 1994 Syd Barret, o garoto psicodélico fundador do Pink Floyd, faleceu em 7 de julho passado, aos 60 anos. No início de 1968 ele já estava fora do grupo desde que embarcou numa viagem de ácido sem volta que o impossibilitou de ter qualquer sintonia com o mundo real. Meu primeiro contato com a banda foi em 1971 quando comprei o LP Atom Heart Mother(1970), o famoso disco da vaca. Syd Barrtet já não fazia mais parte do Pink Floyd, mas aquele álbum marcou uma geração que, ao ouvi-lo, se sentia transportada para outras galáxias. Syd foi homenageado pelos colegas de banda na canção Shine On You Crazy Diamond, do álbum Wish You Were Here (1975). "Remember when you were young, you shone like the sun Shine on you crazy diamond. Now there´s a look in your eyes, like black holes in the sky"... |