Abril 29, 2007

BREGA & RADICAL CHIQUE




intervenção em foto de jornal / 1990



Estas ilustrações acima foi uma brincadeira que fiz quando o então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello, fez uma visita a Portugal em 1990 e lá foi ciceroneado pelo presidente socialista lusitano Mario Soares. O flagrante fotográfico das expressões dizia muita coisa. Não resisti e tirei a minha própria conclusão...

Mas o negócio é o seguinte. Collor e Lula falavam horrores um do outro. Parecia até aqueles desenhos animados do Tom & Jerry onde eles se engalfinham numa rivalidade atroz. Ou como nos filmes de bandido e mocinho que se antipatizam mutuamente no saloon e se desafiam num duelo ao amanhecer.

Collor terminou seu mandato de forma brusca ao ser escorraçado da presidência do Brasil numa avalanche de denuncias de corrupção. Lula, após três tentativas consecutivas e infrutíferas, finalmente chegou ao poder em 2002 encarnando em si esperanças de transformações profundas, e até utópicas, na realidade nacional.

De repente vem à tona figuras antes obscuras como Delúbio Soares, Silvinho "Land Rover" Pereira e outros parecendo encarnar PC Farias, o fantasma das maracutaias da era Collor. Então se percebeu, enfim, que a corrupção permeia todos os partidos políticos brasileiros.

Só que tinha um agravante: o PT, partido de Lula, antes estufava o peito e dava aula de moral, de conduta ética e de civismo ao afirmar que, chegando à presidência, toda a corrupção histórica do Brasil chegaria ao fim. Com eles se iniciaria um ciclo virtuoso e tal.

Bla bla bla... Me engana que eu gosto... Collor, o arrogante, charfundado na lama das maracutaias caiu fora pela pressão popular. Lula, o coitadinho, atolado na areia movediça da corrupção tupiniquim permaneceu firme e ganhou mais um mandato.

Depois de tanto tempo parece que o grande erro político de Collor foi o tal confisco bancário da grana dos cidadãos. Este seu gesto o estigmatizou, colocando-o imediatamente na galeria dos personagens intragáveis. Porque no resto, a malversação dos recursos públicos só parece piorar.

E não adianta vir com explicações evasivas, pueris e dizer que isso é obra de uma direita (?) golpista e udenista, mas em matéria de corrupção e maracutaias o governo de Lula dá de dez em qualquer outro.

E em mais uma cena deste filme chamado Brasil... sil... sil, eis que nas últimas eleições de 2006, Collor se elege senador pelo estado de Alagoas. É recebido pelo presidente e antigo inimigo mortal no palácio como um aliado e no seu discurso inaugural no Congresso Nacional declara seu apoio ao governo e ainda diz, em suas próprias palavras, que será um "soldado de Lula".

Finalmente o inimaginável acontece. Collor e Lula, os dois juntos no mesmo barco. É aquela lei matemática se materializando: duas retas paralelas e distantes se encontram no infinito. O mundo da ciência exata se curva ante a pujança e grandeza do Brasil.

O Brasil chegou ao infinito, ou o infinito alcançou o Brasil? Ou como diz aquela música do antes brega e agora cult e hype Benito di Paula, "tudo está no seu lugar, graças a Deus".

Graças a Deus.




Abril 25, 2007

FOME NA COZINHA DA ALMA




desenho sobre papel e comp art / 1993 - 2007




Abril 22, 2007

A FESTA É BOA E TEM ALGUEM QUE TÁ BANCANDO




capa do LP Duplo Sentido da banda Camisa de Vênus / 1987



Eu estava em Itacaré no outono de 1987 entocado numa praia de difícil acesso por quase vinte dias e sem comunicação com o mundo exterior. Quando retornei a Salvador me deparo com um recado da produção do Camisa de Vênus para eu entrar em contato com eles com o máximo de urgência.

É que eu estava escalado para fazer a capa do disco que eles estavam para lançar e deveria ir para São Paulo para executar a tarefa. O álbum se chamaria Duplo Sentido, um LP duplo com capa interna que se abria o que me daria um bom espaço físico para trabalhar. A capa frontal em si, numa escolha de Marcelo Nova, seria toda negra com o nome da banda e do disco em letras douradas. De resto, a mim seria dada toda liberdade de criação.

Chegando à capital paulista fui até a sede da gravadora WEA, acertamos todos os detalhes e dei início a minha tarefa. Foram quase trinta dias de serviço e ainda pude presenciar as sessões de gravação de Duplo Sentido. Todo o processo de País Do Futuro, Farinha do Desprezo, Raul Seixas e a banda no registro de Muita Estrela, Pouca Constelação e as mixagens que adentravam a madrugada.

E nas dependências da WEA enquanto eu fazia as ilustrações para a capa do LP apareciam figuras como Clemente dos Inocentes e emendávamos papos animados. E eu tinha a companhia de uma produtora que eu havia conhecido chamada Juliana e que passava as tardes ao meu lado, de certa forma, me ajudando e falando sobre rock´n´roll e arte em geral. De lá saíamos para jantar e depois seguíamos para seu apartamento em Moema e a noite era sempre uma criança.

Quando o trabalho ficou pronto, o chefão da gravadora, André Midani, apareceu para conferir o serviço e percebi que seus olhos brilharam ao ver o resultado. Fez elogios rasgados comentando cada ilustração e, também, puxou conversa sobre Simca Chambord - música que sou co-autor e faz parte do disco anterior do Camisa, Correndo O Risco, e comentamos todas aquelas situações narradas na canção. E eu aproveitava o momento e inventava histórias e culhudas que valorizavam ainda mais a letra de Simca Chambord e ele ria e achava tudo mágico.

Fiquei lisonjeado com o aval e as palavras de André Midani, pois ele era (e foi) um dos mais brilhantes dirigentes fonográficos da história da música brasileira. Depois dali me dirigi ao setor financeiro da WEA, peguei a grana do trabalho executado - que não foi nenhuma fortuna, mas também não foi uma mixaria, fiquei mais umas semanas em São Paulo zoando com os caras do Camisa e tendo a companhia sempre agradável de Juliana.

Sim, dinheiro traz felicidade.




Abril 19, 2007

E JAMES JOYCE VIU A PICHAÇÃO NA PORTA DO BANHEIRO...



desenho sobre papel / 1992



Está lá no livro Retrato do Artista Quando Jovem publicado em 1916 e escrito por James Joyce uma passagem interessante.
No meio do livro, acho eu, diz que na porta de um banheiro tem o grafite:

BALBUS ESTAVA CONSTRUINDO UMA PAREDE.

São vários autores importantes em seus livros bacanas que, de uma forma ou de outra, fazem uma referência a este ato de deixar uma inscrição, mensagem ou desenho num local público.

Joyce fez isso. Julio Cortázar também.

Já artistas plásticos modernistas do inicio do século 20 como Miró, Paul Klee, Picasso e muitos outros eram fascinados pelos grafites e relatos dão conta que eles, anonimamente, faziam suas pichações nas madrugadas parisienses.

Graffiti Walls Forever!!




Abril 16, 2007

O GRANDE TÁXI AMARELO




comp art sobre foto de grafite em prédio abandonado / 2001 - 2007




Eu a vi atravessando a rua apressada e entrando num grande táxi amarelo e seus gestos expressavam sua voz e a sonoridade do seu violão e seus cabelos louros e longos escorriam pela jaqueta de couro preto.

O grande táxi amarelo dobrou a esquina onde antes tinha um terreno cheio de árvores centenárias e depois foi terraplanado, pavimentado e transformado num estacionamento.

Antes de entrar no grande táxi amarelo ela percebeu que eu a tinha reconhecido e me olhou de um jeito simpático e depois eu fiquei arrependido por não ter sido mais corajoso e ter tentado entrar no mesmo veículo. Depois daquele momento, sempre guardei uma impressão que ela aceitaria a minha companhia e nunca me perdoei por isso.

O grande táxi amarelo seguiu pela longa avenida e ainda deu para observar quando o veículo passou pela porta do Museu das Árvores onde estavam expostas as seculares árvores que faziam parte do terreno da esquina, que foi terraplanado, pavimentado e transformado num estacionamento.

Bem de longe vi que ela olhou pelo vidro traseiro do grande táxi amarelo e acenou para mim.




Abril 12, 2007

FAUSTINO AIRLINES
VOANDO DISTANTE DO CAOS AÉREO





desenho sobre papel (2006) e objeto escultura (1999)



E eles dizem com a maior cara lavada:

- não existe crise aérea!

Mas os aeroportos amontoados de gente, aviões que somem e aparecem nos radares, atrasos homéricos e abusivos. Tudo isso não é verdade. Assim eles dizem.

Ahhhh, se fosse em outro governo...
Certamente os saguões dos aeroportos já estariam tomados pelos militantes da CUT e sindicatos "que defendem o povo", por ONGs que protegem "o bom funcionamento do estômago dos passageiros aéreos indefesos" e todas estas entidades juntas estendendo faixas de protesto com letras garrafais:

RESPEITEM O POVO BRASILEIRO!!

Mas que nada... Este tempo já passou. Não há nada para reclamar ou reivindicar. Está tudo uma maravilha no Brasil... sil... sil...

Então voe pela FAUSTINO AIRLINES e faça uma viagem dos sonhos. Preços módicos. Sem espera e sem atrasos. Poltronas confortáveis e amplas. Uísque escocês black label legítimo. Cardápio farto, variado e com cozinha internacional.

Voe pela FAUSTINO AIRLINES mesmo que você odeie a Zelite e acha que passageiro de avião é privilegiado, não pode reclamar e que eles têm mais é que viajar no lombo de um burro.

Aliás, não seja burro. Aproveite o fantástico momento econômico por que passa o Brasil e se dirija até uma agência de viagens mais próxima da sua casa e adquira sua passagem pela FAUSTINO AIRLINES, a empresa aérea que faz a alegria da Zelite e do povão.




Abril 9, 2007

CONFISSÕES DE ROQUEIROS SAFADOS - SÉRGIO "CEBOLA" MARTINEZ



compart sobre fotografia de Thiago Fernandes / 2007



Sérgio Cebola é baixista, compositor e letrista da banda baiana Berlinda que com seu jeitão de guitar band vai avançando e conquistando espaço no território devastado da música alternativa feita na Bahia. Eles estão para gravar um CD com suas canções próprias.

Cebola, junto aos seus irmãos, Candido e Márcio, formam um clã que orgulha o rock and roll: os Martinez Brothers.
Candido Soto, guitarrista extraordinário e um monstro dos riffs e solos faiscantes, é integrante da Cascadura.
Márcio tem uma coleção de CDs e DVDs musicais e um conhecimento de rock que eu invejo e admiro.

Através desses caras conheci e estreitei laços com outras figuras sensacionais como Claudio Moreira, Nei Bahia, Simone Leal, Nuno, Fernando Cardel, Marcos Rodrigues, Arthur Ribeiro, Yara Vasku, Lia Seixas, Adriana, Priscila, Lívia Rangel, Silvana Malta, Eduardo Bastos, Dantas, Thiago Fernandes, Nestor e tantos outros que têm uma ligação especial com o rock and roll. E alguns certamente estarão aqui no blog em conversas parecidas. Claudio Moreira e Nei Bahia, por exemplo, são indispensáveis.


miguel diz:
para começar polemizando... quem saca mais de rock? você, márcio, nei bahia ou cláudio moreira?

cebola diz:
claro que sou eu, heheheh!!!

miguel diz:
cada qual tem sua especialidade. todos sacam muito

cebola diz:
cláudio hard, márcio folk, nei esquizofrênico!!! e eu, segundo cláudio, autista... huahuahuahu

miguel diz:
e a musica nova do Wilco?

cebola:
é o disco novo, que já baixei e ouvi!! está incrível, continuo achando a melhor banda na ativa desde o disco Being There... q foi o segundo...

miguel diz:
eu também gosto do Wilco, mas não sou muito fã daquele lance meio "americana radiohead" q eles andaram fazendo.

cebola diz:
eu curti essa fase. este novo está um pouco mais básico q os anteriores, até meio jazzistico, nos trabalhos de guitarra!

miguel diz:
gosto muito daqueles dois CDs q eles fizeram com o Billy Bragg em cima de rascunhos de canções deixadas por Woody Guthrie

cebola diz:
pois é, são incríveis, os dois, né não? Jeff Tweedy bota pra f... e Billy Bragg, claro

miguel diz:
me diz um troço: quando foi q a mosca tsé tsé do rock´n´roll enfiou o ferrão em você? sem trocadilhos... rssss

cebola diz:
hehe, cara, pode parecer tiração de onda, mas quando eu era bem guri, uns 5, 6 anos, uma tia minha me presenteou com um compacto simples com I´m The Walrus e Hello Goodbye (Beatles), que fissurei! ouvia sem parar, feito louco, tenho até hoje... mas, consciente mesmo, deixa ver... tenho uma imagem q não me sai da cabeça: quando eu tinha uns 10 ou 11 anos, vi na tv, não lembro o programa, uma mulher berrando a plenos pulmões que hoje acredito ter sido a Janis...

miguel diz:
legal. sou mais velho, mas o começo é bem parecido

cebola diz:
logo depois pedi de presente uns discos dos Beatles e Rolling Stones. mas sabe o que me atingiu feito um soco mesmo?? quando assisti o filme, Os Irmãos Cara De Pau (Blues Brothers), alí o estrago se concretizou de vez!! e saí garimpando aquela porra toda

miguel diz:
rapaz, outro dia conversando com Fernando Ferraz a gente tava falando sobre isso. o cara q REALMENTE ama o rock, ele tem tanta coisa pra pesquisar, ir atrás.

cebola diz:
velho, dá forma como tudo se configurou, como foi se entranhando em minha alma e corpo e tripas, com cada nova descoberta me levando pra outras paragens desconhecidas... impossível deixar pra lá. e eu odeio esse "determinismo" cultural pseudo ufanista de dizer que temos que dar valor ao q é nosso, e tal... é o caralho!! eu tenho q dar valor àquilo q eu quero dar valor, baseado em minha própria experiência e sensibilidade, naquilo q eu realmente gosto, naquilo q me motiva... e foda-se o resto! hehehe

miguel diz:
velho, eu vou falar algumas figuras e você vai responder. perguntas curtas, respostas rasteiras... Ray Davies?

cebola diz:
puta cronista e genial criador de canções!

miguel diz:
Otis Redding?

cebola diz:
alma e vísceras expostas, e Dock Of The Bay pra acabar com tudo

miguel diz:
tem um cara q curto muito e queria saber de você. ele tem altos e baixos, mas... Eric Clapton?

cebola diz:
man, Clapton eu acho um genial intérprete de blues, e um compositor que quando acerta a mão... faz a guitarra gentilmente chorar! e adorei seu trabalho recente com JJ Cale

miguel diz:
também tem um lance q muita gente ignora q é q Clapton estava fazendo aquelas coisas de Hendrix antes de Hendrix. vc acha isso também?

cebola diz:
claro, com o Cream, né? mas é q quando o negão chegou com microfonias e surfando em ondas elétricas criadas por sua fender... quem veio antes ficou meio ofuscado...

miguel diz:
você e osvaldo brama são casos raros de pessoas q ouvem e gostam desde o rock primal dos anos 50, do blues ancestral até as coisas mais recentes e eu admiro isso porque eu não tenho muito saco pra esse lance de novidade. ouço tudo mas nunca fico realmente animado. sou um velhaco anarquista tradicional e conservador rsss

cebola diz:
cara, tantas velharias a serem (re)descobertas... vai ouvir o Live In Hamburg de Jerry Lee Lewis, e me diga o que chega perto daquela fúria... mas confesso que tenho um pouco mais de paciência com as novidades...

miguel diz:
e dessas novidades qual você me mostraria e eu poderia gostar, ou não?? rsss

cebola diz:
tente The Hold Steady, conhece? e, é claro, uma das minhas mais gratas surpresas ultimamente, Richard Hawley.

miguel diz:
rrsss... não não. Richard Hawley, não! ouvi algumas vezes, mas esse lance melancólico demais eu não curto. essas vocalizações desesperadas eu não gosto mesmo

cebola diz:
poxa, achei aquela melancolia mais na linha Roy Orbinson/Johnny Cash de ser, do que dessas xorumelas que povoam a mídia

miguel diz:
então me responde, o q é pior: a platéia berrar "toca rauuul" ou "toca flaming liiips"?

cebola diz:
toca warrrr pigssss!

miguel diz:
porra!!! aí é phóda...

cebola diz:
velhinho, vc viu a Rolling Stone? tem uma matéria faaaantástica sobre o Exile On Main Street, sobre a gravação do melhor disco de ROCK de todos (para mim, pelo menos!)

miguel diz:
Exile é perfeito. comprei importado na época q saiu. deixei de ir ver o Bahia jogar e juntei grana e comprei importado. ouvi meses seguidos o dia todo, todos os dias

cebola diz:
absolutamente! o rock podia acabar e as porra depois!! hehehe... ou pelo menos os Stones, mas aí eu não teria visto eles ao vivo duas vezes!!

miguel diz:
esse papo de dizer q os Stones deveriam terminar depois de Exile não tem nada a ver. o grande barato dos Stones é q ainda vamos vê-los fazendo discos absolutamente iguais e tocando ao vivo aquelas mesmas músicas com seus 80 anos. os críticos hype vão odiar e a gente vai se esbaldar. rsss

cebola diz:
eu adoro Tattoo You e Some Girls e Voodoo Lounge e A Bigger Bang... a porra toda, droga!!

miguel diz:
pois é. Voodoo Lounge é um disco do caralho. Some Girls nem se fala...

cebola diz:
cara, até de disco ruim dos Stones eu gosto da maioria das musicas!! eu sou doente mesmo, hehe

miguel diz:
mas tem aqueles discos do meio dos anos 80 q são fraquinhos. Undercover. e música popular brasileira, o q vc gosta? afinal, dizem que somos "brasilêêêros, com muito ooorguuulho...." rssss

cebola diz:
Roberto Carlos, quando ainda era vivo,

miguel diz:
mas o rei não é bem MPB. eu, por exemplo, até acho q Chico Science e Mundo Livre são mais MPB q Roberto. sem nenhum juízo de valor nisso

cebola diz:
verdade. sem contar que a turma rançosa da MPB nunca engoliu bem o rei por muito tempo. vá lá, eu gosto do João Gilberto e do Tom Jobim, gosto de alguma coisa da bossa nova, quando não adentram em masturbações jazzisticas

miguel diz:
tem um lance interessante nesse livro de Roberto Carlos q é uma história que João Gilberto estava fora do Brasil um bom tempo ali no meio dos anos 60. ele chegou aqui e Chico Buarque o levou para assistir aqueles grupos de bossa jazz tipo Zimbo Trio, etc

cebola diz:
tô ligado. João Gilberto achou tudo uma bosta

miguel diz:
e João disse na lata: é melhor tocar iê iê iê do q esse jazz retardado. imagina como ficou Chico Buarque, que na época era um radical nacionalista anti rock?

cebola diz:
yeah

miguel diz:
e qual disco q vc mais ouviu em sua vida?

cebola diz:
man, acredite, acho que foi o Machine Head do Deep Purple!! eu amo aquele disco! depois, talvez, o Ocean Rain, do Echo & The Bunnymen

miguel diz:
taí, eu curto o Echo, mas hoje em dia não tenho muito saco. e nunca entendi direito porque a rapaziada roqueira daqui de salvador tem fixação em Killing Moon

cebola diz:
verdade, tem tanta coisa tão boa quanto...ou melhor

miguel diz:
Lou Reed ou Velvet Underground?

cebola diz:
puerrra! agora tu me pegou! posso dizer que Lou Reed tem uma das minhas canções prediletas ever, que é Legendary Hearts

miguel diz:
lembro q tocamos Legendary Hearts naquele ensaio q fizemos. porra aquele ensaio foi dos mais divertidos q fiz.

cebola diz:
hehehe. foi massa. cara, fiquei nas nuvens... vamos repetir isso!!!!

miguel diz:
Nick Cave ou Leonard Cohen ou Tom Waits?

cebola diz:
aí é mais fácil. Leonard, apesar de gostar muito de Tom Waits e nem tanto assim de Nick Cave

miguel diz:
concordo. Cohen é muito, muito superior aos dois. e literatura o q te marcou?

cebola diz:
cara, eu amo John Steinbeck, principalmente. e, claro, os beats. tudo começou alí, né? o rock antes do rock!!

miguel diz:
verdade. sei q você tem uma coleção invejável de quadrinhos. qual o seu preferido?

cebola diz:
Watchmen e Sandman!!!

miguel diz:
e Mondo Cane, de Miguelanxo Prado? Mondo Cane é sensacional! muito escroto e sarcástico. já leu?

cebola diz:
lí não, me empresta?? me empresta aí, pô!!

miguel diz:
perdi o meu exemplar. sempre comprei quadrinhos, mas nunca fui de colecionar como fazia com discos. me fala, o q vc tem ouvido,visto e lido por agora

cebola diz:
ouvido o novo do Wilco, The Hold Steady, Stones sempre... cara, adorei os dois filmes do velho Clint Eastwood, e gostei muito de A Última Noite de Robert Altman! estou terminando de ler a biografia de Robertão, e começarei, em seguida a ler a saga A Torre Negra, de Stephen King. sim, eu gosto de Stephen King, hehe... também adoooro Fellini. E La Nave Va e Amarcord são obrigatórios

miguel diz:
lembra daquele papo? sobre as bandas ruinzinhas favoritas?

cebola diz:
banda: Duran Duran! e discos: The Final Cut, do Floyd é hors concours. um disco desprezado que eu amo!!

miguel diz:
mas o Floyd sempre foi uma grande banda. man, estamos falando de A-ha e congêneres. rsss

cebola diz:
taí, gosto do A-ha!! adoro Take On Me, aquele teclado da introdução é campeão!!

miguel diz:
também gosto. aquele disco ouvi bastante. uma namorada me deu de presente e ela realmente me fez gostar do A-ha.... rsss. também gosto do Bread pra caralho. fizeram clássicos como Guitar Man, Sweet Surrender...

cebola diz:
conheço muito não. talvez até conheça sem saber... aaah sim, ia esquecendo, adoro Girls Just Want To Have Fun, de Cindy Lauper!!

miguel diz:
Cindy Lauper é bacana. e se Miles Davis que é (era) Miles Davis gravou Cindy Lauper, então ela é legal mesmo. rsss

cebola diz:
Time After Time. matadora!!

miguel diz:
confissões de um roqueiro safado

cebola diz:
heehe, confissões... de dois roqueiros safados!

miguel diz:
com cerveja. man, esse papo tá muito bom mas tem de terminar. a merda desse lance de internet é que a porra do texto tem de ser curto senão o pessoal tem preguiça de ler. e a gente tem assunto pra encher telas e mais telas

cebola diz:
verdade verdadeira. pode mandar a tesoura que a gente entende, mas é foda mesmo...

miguel diz:
a gente se fala

cebola diz:
beleza man, adorei o papo. inté mais ver




Abril 4, 2007

O MANUSCRITO DO MAR NEGRO



pintura e desenho sobre papel e xerox / 1994



Enquanto faziam uma escavação nas montanhas que circundam o Mar Negro, arqueólogos encontraram fragmentos de um escrito e passaram a estudá-lo. Após alguns meses chegaram à conclusão que se tratava de uma parábola que narrava o encontro entre um foragido europeu e um sábio da região.


"E o foragido perguntou ao sábio como ele poderia encontrar o sossego já que havia anos que perambulava, fugindo da sua própria condição e origem e não tinha chegado a lugar nenhum. E o sábio, olhando o horizonte, respondeu:

- às vezes achamos que estamos em busca de uma resposta ou indo em direção a algo, mas, na verdade, todos nós estamos fugindo de alguma coisa. Se isso é bom ou ruim, só nós mesmos podemos descobrir o seu significado.
Lembre-se que para navegar é necessário que soltemos as cordas que prendem o barco ao porto.
O barco se torna barco quando ele está nos mares enfrentando tempestades e o bom marujo deve ser hábil para conduzir a embarcação sob condições adversas até a chegada de uma manhã luminosa.
Da mesma forma, o barco se torna barco quando ele está nos mares, parado e dando círculos em torno de uma calmaria, e o bom marujo deve ser sagaz para perceber a estreita, tênue e quase imperceptível corrente marinha que passa perto e que, sabendo aproveitá-la, conduzirá a embarcação ao seu destino".