Maio 30, 2007

UM INCONVENIENTE ANARQUISTA NOS ESTÚDIOS DE HOLLYWOOD



comp art - 2007



A década de 1930 seguia seu ritmo e Luis Buñuel já tinha realizado dois filmes que revolucionaram o modo de fazer cinema: Um Cão Andaluz e A Idade do Ouro. Mas àquela altura dos acontecimentos ele estava quebrado, sem grana, sem horizontes e, então, foi convidado pra passar um tempo em Hollywood.

Só que ele não iria fazer filmes por lá. Iria ganhar um salário para ficar peruando as produções, olhando a paisagem. Talvez os produtores ianques tivessem receio de ele vir a filmar e cometer alguma loucura cinematográfica surrealista. E Buñuel ficou perambulando pelos estúdios da meca do cinema americano.

Ele achava tudo aquilo um saco e o ambiente não o motivava. Sua rotina consistia em assistir uma sequência de filmagem, ou ficava pelos cantos batendo papo com aqueles que ele achava interessante, ou ficava falando mal, muito mal, da frivolidade do tal american way of life.

Com pouco tempo percebeu que existiam determinadas regras, ou manhas, para cada filme realizado por certos diretores e produtores de Hollywood. Buñuel detectava tudo.

Não que ele desprezasse por completo a indústria do cinema americano, mas ele não concordava com as limitações impostas. Admirava de verdade vários realizadores e achava um luxo as condições de trabalho, porém considerava um lixo o jeito hollywoodiano de fazer cinema.

Uma das muitas histórias das peripécias de Buñuel em Hollywood é a que conta que certa feita uma produção de um badalado diretor estava sendo filmada num dos melhores estúdios e todos correram para lá para dar uma conferida.

Ao chegar ao local, Buñuel observou com atenção quem era o produtor, o diretor, o cenário, o figurino, os atores. O grupo de pessoas que estavam com ele assistiu algumas tomadas de cena e depois saíram para tomar um chá e conversar sobre o que tinham presenciado.

Buñuel, entediado, ouvia em silêncio todos eles falando maravilhas do projeto e quando questionado sobre a sua opinião, respondeu de bate pronto:

- Eu já sei como vai ser o desfecho do filme. O mocinho morre perto do final, a mocinha heroína encontra um novo amor nos braços do amigo do mocinho e o bem prevalece frente ao mal.

Os que estavam na mesa ficaram incrédulos com as palavras cheias de ironia de Buñuel. Todos queriam saber como ele podia prever aquilo já que o roteiro da película era tratado como segredo de estado e cercado de mistérios quanto ao seu desenrolar.

E Buñuel completou:

- É muito simples. O cinema americano segue uma lógica muito simples. Um determinado diretor é escalado, convocam-se certos atores, adiciona um tipo de cenário e figurino e ajusta-se à vontade de um produtor e tem uma história com começo, meio e fim previsível. É muito fácil. Com aquele diretor, com aquele cenário e com aqueles atores, o enredo e o final do filme não podem ser diferente disso que acabo de falar.

Mais uma vez, todos os que estavam sentados à mesa ficaram surpresos. Uns caíram na gargalhada já acostumados com as tiradas anarquistas de Buñuel. Outros se morderam de raiva, pois suas mentes medianas não digeriam nem mesmo entendiam as idéias malucas do espanhol gênio do cinema.




Maio 27, 2007

NAVALHA NA CARNE




desenho sobre papel e comp art / 1992 - 2007



Maio 23, 2007

SOB AS NUVENS DO JARDIM DO RIO DA MONTANHA




pintura sobre tela - 1989



Na canoa que fazia a travessia do rio, um homem de barbas longas tinha o hábito de contar histórias.

Nuvens baixas envolvem o lugar e você poderia jurar que está nas montanhas que cercam o Deserto de Atacama, ou o Deserto de Taklamakan ou o Cerrado brasileiro.

Uma mulher tinha ido até lá em busca de um filho que fazia tempo que não recebia notícias. Através de informações cruzadas soube que ele tinha aderido a uma comunidade com o nome de Jardim do Rio da Montanha.

Lá não havia líderes nem mestres messiânicos e, muito menos, seguidores fiéis. Líderes têm o mau costume de apontar caminhos quando, na verdade, não existem caminhos. Existem escolhas e elas são quase sempre pessoais. E seguidores fiéis sempre descambam para o fanatismo.

No Jardim do Rio da Montanha se armazena a água potável em tanques forrados com a pele dos lagartos da areia e numa região próxima são plantadas espécies de árvores e plantas que dão o seu sustento.

Na travessia a mulher escutava os relatos do velho barqueiro. As águas do rio que não correm duas vezes sobre o seu leito. As nuvens que nunca formam desenhos idênticos e os pensamentos que mudam enquanto as estações passam. E, já bem perto de atracar a canoa, o velho fez questão de afirmar que aquele lugar estava longe de ser um paraíso.

O paraíso é uma ilusão que os homens inventaram para enganar a sua infelicidade. - ele disse.




Maio 20, 2007

VAN THE MAN MORRISON



comp art - 2007


Houve um momento em sua carreira que Van Morrison pensou em largar tudo de lado e se tornar professor. Por certo não faria feio. O que inquietava a sua alma era que mesmo lançando discos, suas incursões musicais, a seu ver, quem sabe?, não levavam a nada.

É duro para um artista superior se ver encurralado pelas regras meramente mercantilistas do mercado. Mas fazer o quê? A vida tem dessas.

Van Morrison nasceu em Belfast no ano de 1945, Irlanda do Norte, e em 1964 fundou o Them, banda seminal que colocou nas paradas uma música de nome Gloria. E ela se tornou um clássico instantâneo do rock´n´roll.

O Them teve vida curta e Van Morrison iniciou carreira solo. Profundamente influenciado pela música negra, pelo rhythm and blues e dono de uma das vozes mais privilegiadas e poderosas da música popular. Letrista inspirado, ele foi um dos que possibilitou trazer a literatura para o rock e vice versa.

Detentor de uma invejada discografia com álbuns do calibre de Astral Weeks (1968), Moondance (1970), Tupelo Honey (1971), Wavelength (1978), Into the Music (1979), Irish Heartbeat (1988), Avalon Sunset (1989), Hymns To The Silence (1991). Canções eternas como Brown Eyed Girl, Into the Mystic, Wild Night, Bright Side of the Road, Caravan, Crazy Love e por aí vai...

O que mais? Bem, Van The Man, como é chamado pelos fãs, é também ídolo dos ídolos e de todas as áreas. De Jim Morrison (Doors) a Martin Scorcese, passando por Hendrix, The Band, Solomon Burke, Dylan, David Bowie, Brian Ferry (Roxy Music), Patti Smith, John Lee Hooker, AC/DC, Chet Baker, Phil Lynott (Thin Lizzy), Ray Charles, Joe Strummer (The Clash), Eddie And The Hot Rods, REM, Elvis Costelo, Rickie Lee Jones...

E por falar no outro Morrison, o Jim, há uma história que conta que quando o Them se apresentou na California em 1966, o Doors fez o show de abertura. Ao final da noitada os dois charás de sobrenome se aliaram no palco e, juntos, fizeram um dueto matador de Gloria. Aliás, esta música era parte do repertório do Doors e um dos pontos altos nos seus concertos.

Quem viu, viu...
E quem ainda não ouviu, nem conhece e nem percebeu o valor de Van The Man, que trate de fazê-lo. Agora!



Van Morrison e a lenda da soul music Solomon Burke cantam Fast Train, canção de autoria do bardo irlandês.


Van & John Lee Hooker e o nome dela é G - L - O - R - I - A.




Maio 16, 2007

O FISCAL DO PLANETA PROVOCA UMA POLÊMICA

UMA ERA NUCLEAR E NÃO TENHO MEDO
A CIDADE ESTÁ DERRETENDO MAS EU MORO NA MARGEM DO RIO...




comp art (2007), desenho sobre papel (1996) e pintura sobre papel (1992)



Sejamos sinceros, sejamos sensatos. Não faz tanto sentido imaginar que o tal do bio-combustível será a salvação da lavoura do futuro. É desprezar o avanço da ciência.

Queiram ou não os ecologistas mais conservadores e os luditas de plantão, o futuro da energia propulsora em todos os setores está intimamente ligado ao desenvolvimento e à aplicação da tecnologia atômica.

A utilização da tecnologia atômica como arma de guerra - Hiroshima e Nagazaki, a transformou numa espécie de patinho feio da ciência. E os acidentes ocorridos com usinas nucleares - Chernobyl, e outros de menor porte como o do Césio 137 em Goiânia deixaram uma marca nada simpática à causa. Um karma muito pesado.

Mas como imaginar um futuro sem a energia atômica? Até quando nosso planeta suportará ser refém apenas das fontes naturais? Da energia proveniente dos rios - cada vez mais poluídos e sujeitos às alterações climáticas; do petróleo - cujas reservas são privilégio de poucas nações e ainda, em parte, subordinado aos humores de dirigentes políticos fanáticos e/ou autoritários.

E como fica o bio-combustível no futuro? Igualmente dependente do clima, da irrigação proveniente dos rios já combalidos ou da água do subsolo já super explorada. Ou dos subsídios governamentais, subsídios estes, do mesmo modo, sujeitos aos humores de lideranças demagogas e/ou autoritárias, já que as regiões disponíveis no planeta para a produção do bio-combustível estão em continentes onde a liberdade econômica e a plena democracia ainda não estão consolidadas. É bom lembrar que estas regiões são ambientes propícios para que políticos com estas características descritas acima se reproduzam com extrema facilidade.

No futuro e acreditando nos homens de boa vontade (outra coisa difícil de imaginar), a energia atômica devidamente manipulada e NÃO NOCIVA à vida planetária poderá ser utilizada em larga escala e ser vital para a humanidade.

Baterias atômicas em miniatura poderão pôr veículos em movimento e gerar energia para residências, indústrias, cidades. Elas estarão em todo lugar. Até mesmo como linha auxiliar aos recursos naturais.

Quem viver verá.

Correremos riscos? Claro que sim, afinal sempre corremos riscos em toda nossa existência.




Maio 14, 2007

A BOFETADA DE DUCHAMP NA FACE DA ARTE PREVISÍVEL




comp art / 2007



Marcel Duchamp foi um provocador inveterado, um moleque abusado das artes plásticas do século 20. Para ele a arte não era uma coisa especial ou, muito menos, séria. De forma proposital ele fez questão de retirar da criação artística toda sua aura de algo divino ou elevado.

Francês de nascimento (1887) e irmão de mais dois artistas de destaque no cenário, ele acompanhou atentamente os fundamentos da arte moderna e moldou sua trajetória de forma única. Figura de proa do movimento Dada, o mais radical dos movimentos modernistas do início do século passado, que pregava a ruptura total com a arte tradicional. Os dadaístas eram irônicos e radicais ao extremo, sarcásticos e agressivos até a medula, niilistas por natureza.

Logo no início da sua carreira profissional fez um quadro que chocou os padrões estéticos da época ao retratar uma figura humana descendo uma escada e simulando os movimentos do corpo. Num outro ele colocou bigodes na Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Mas deixou de lado a pintura para desenvolver uma criação toda sua ao transformar uma roda de bicicleta e um urinol em obra de arte.

Com trabalhos deste tipo ele deu origem aos famosos Ready Mades que nada mais são que objetos do cotidiano, industrializados e desprovidos de qualquer teor artístico e que pela escolha individual do criador passa a ser algo estético. Uma ruptura sem precedentes, pois assim ele desmistificava o conceito da própria manufatura da obra. Os Ready Mades de Duchamp diziam: a arte está em qualquer coisa, pode ser qualquer coisa.

Foi o precursor da Arte Conceitual, das instalações e é, certamente, o artista que mais influenciou a criação contemporânea dos últimos sessenta anos. Mas com um diferencial: enquanto os "duchampianos" de hoje são excessivamente teóricos, sisudos e desprovidos de senso de humor, o Duchamp original era um sacana curtidor, um piadista intuitivo e irresponsável.

Foi um dos primeiros modernistas a fixar uma residência em Nova York ainda no período da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ao perceber que o continente europeu estava, num certo aspecto, estagnado. Sentiu-se motivado com as múltiplas opções da Amerika e com a calorosa recepção ao seu trabalho. Duchamp era um entusiasta do desenvolvimentismo e ficou estimulado com a vida urbana intensa e identificou-se com os arranha céus da metrópole. Afinal, tudo isto era parte das noções futuristas e dadaistas.

Numa de suas inúmeras negações da arte ao longo de toda sua vida artística, tornou-se um exímio jogador de xadrez chegando a participar da equipe francesa desta modalidade. Viveu como bem quis e como bem entendeu. Amou várias mulheres e foi amante de outras como a escultora Maria Martins, esposa de um diplomata brasileiro.

Uma forma zen de ver o mundo, conviver com ele e moldar sua obra e criação de forma totalmente particular e individual. Já com idade avançada e mesmo após a sua morte em 1968, Duchamp era idolatrado até pela garotada do rock, tanto que o perfil característico do seu rosto está numa das janelinhas do prédio que ilustra a capa de Physical Graffiti do Led Zeppelin. Seus conceitos estéticos continuam atuais e ainda provocam controvérsias e gargalhadas. Suas idéias são imitadas e copiadas, mas nunca superadas e anos-luz da leveza e graça do original duchampiano.




Maio 9, 2007

FAUSTINO
A ARTE DE SABER DESPONGAR DO ÔNIBUS OU LOTAÇÃO




comp art e desenho sobre papel - 1995



Faustino pegava ônibus e gostava de apreciar os passageiros que despongavam do veículo ainda em movimento. Ele sabia que para executar aquilo era necessário habilidade, um bom equilíbrio e, mais ainda, uma dose de inteligência e, acima de tudo, elegância.

Um dia puxou conversa com um passageiro que sempre despongava do ônibus. O cara era exímio e perguntado por Faustino sobre a arte de despongar do coletivo, começou a enumerar as etapas para esta manobra ser bem sucedida.

Primeiro, é fundamental ter uma noção do tempo e da velocidade que o coletivo se encontra e ter a certeza que o motorista não vai brecar subitamente ou armar uma arapuca para o despongador se esborrachar no chão, já que haviam condutores que gostavam de aprontar dessas.
Segundo, observar com antecedência o terreno aonde vai pisar e ter a certeza que o local não tenha buracos ou irregularidades no solo.
Terceiro, nunca, o cara repetia, nunca, ao despongar do ônibus deve se colocar, em primeiro lugar, o pé dianteiro no chão. O correto é tocar o solo com o pé traseiro com firmeza, mas, também, com leveza para deixar o impulso proveniente da velocidade do coletivo te levar adiante e, aí sim, deixar os passos se alternarem e tudo sair bem.
Outra observação, o corpo deve sempre estar meio de lado e jamais de frente, pois assim, de frente, é bem mais difícil controlar a aceleração do pouso e é muito fácil sair catando ficha.

Com estas informações Faustino começou a prática do despongar do ônibus e lotação. Escolheu locais de pouco movimento e fez as tentativas iniciais com o veículo já em baixa velocidade, quase parando. Se desequilibrou e quase se estatelou no chão, mas não desistiu.

O grande desejo de Faustino era fazer bonito ao despongar no ponto mais concorrido do centro da cidade onde se concentrava muitas mulheres bacanas. E quando se sentiu preparado e seguro escolheu um final de tarde de uma sexta feira ensolarada, vestiu uma roupa nova e pegou o coletivo. No trajeto ele refazia em pensamento todos os procedimentos que ouviu e aprendeu na prática.

O ponto se aproximava e Faustino, com o coração aos pulos, se dirigiu para a porta de saída. O ônibus se posiciona perto do meio fio e vai diminuindo a velocidade, o motorista abre a porta e Faustino se projeta no ar. São milésimos de segundos que duram uma eternidade. E ele faz um pouso perfeito, os passos firmes controlando o equilíbrio e a velocidade, o corpo e os braços balanceados.

Ao concluir sua manobra de forma vitoriosa, Faustino imagina as pessoas admiradas com o seu despongar. A morena pela qual ele tinha uma atração irresistível e que sempre cruzava pelas ruas do centro estava no ponto e viu tudo. E Faustino, cúmplice, a olhou com o canto do olho e continuou seu caminho tendo a certeza que, a partir dali, ela começou a ficar encantada por ele.




Maio 6, 2007

SISTER ROSETTA THARPE
DIAMANTE NEGRO EM ESTADO BRUTO




comp art / 2007



Yes, nós tivemos Clementina de Jesus e ainda temos Dona Ivone Laura e Jovelina Pérola Negra. Todas elas negras geniais e vozes cheias de balanço e corações repletos de alma.

Diamantes negros em estado bruto.

Sister Rosetta Tharpe (1915-1973) também tinha tudo isso e apesar de ser uma artista gospel tocava uma guitarra endiabrada e desde os anos 1930 adentrava o terreno profano do rock´n´roll.
Pois é, ela foi uma das precursoras disso tudo.

Aleluia, irmãos e salve a Irmã Rosetta Tharpe.


Assista a performance de Sister Rosetta Tharpe e tire suas próprias conclusões.








Maio 3, 2007

FAÇA-SE O NOVO.
COMO DIRIA EZRA POUND, MAKE IT NEW



releitura do Arlequim de Cèzanne (1888/1890) - pintura sobre papel / 1995



Roland Barthes faz uma interessante observação entre o que diferencia o "novo" da "novidade".

Enquanto esta última apenas atualiza o Mesmo com pequenas alterações cosméticas, como vemos acontecer diariamente na mídia, o "novo" seria o ponto de ruptura onde se anuncia algo radicalmente diferente do que até então existia.

E onde está o "novo"? Seria algo que surge do zero ou se recicla através de algo já existente?
A arte moderna do início do século 20 sempre foi propagada como uma manifestação de ruptura, mas alguns dos seus cânones já vinham se manifestando há séculos e podem ser conferidos na produção de Francis Goya ou William Blake.

O jovem Picasso teve como âncora quadros do "velho" Cézanne e as esculturas primitivas africanas para formular o Cubismo, gerando assim uma ruptura com o convencionalismo vigente. Já Matisse adaptou ao seu repertório particular a explosão de cores dos trabalhos de Gauguin. Vários artistas modernistas utilizaram essas influências do passado e através das suas personalidades individuais transformaram sua produção artística numa coisa genuinamente "nova".

Porém, nos dias correntes onde "a mídia agora é nosso aiatolá" e a velocidade da informação e a busca por novidades é uma obsessão, a cada momento somos alardeados pelo (suposto) surgimento de algo "novo".

No universo da música pop, então, é um horror! Articulistas desinformados sempre usam seus braços para colocar na prateleira do "novo" bobagens ocas e desimportantes. E eles se posicionam como porta vozes do ineditismo cultural, mas não passam de vanguardeiros de uma retaguarda.

Porque, na real, a grande maioria da produção cultural de hoje que é rotulada como "nova", não passam de "novidades" obsoletas e de "novo" mesmo não têm nada. São as mesmas coisas velhas de sempre e com um diferencial bem peculiar: não demonstram personalidade e têm um curtíssimo prazo de validade.

Fala-se intensamente dela por um breve período de tempo e mais tarde já passou, ficou prá trás. Até a chegada da próxima "novidade".

Então, para os adeptos do ineditismo cultural ficamos assim:

o novo é o ovo da galinha que a raposa velha surrupia
e come com voracidade para ficar forte
e alimentar a raposinha nova
que, tempos depois, vai surrupiar de novo
o ovo novo da galinha.