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Julho 31, 2007
ANTONIONI & BERGMAN
comp art - 2007 Em um só dia, ontem, 30 de julho de 2007, dois dos mais representativos diretores da história do cinema faleceram. O sueco Ingmar Bergman aos 89 anos e o italiano Michelangelo Antonioni aos 95 anos. Longevos não apenas na vida como na produção individual, densos e enigmáticos, cada qual com seu estilo e abordagem, eles dirigiram filmes que redefiniram a estética cinematográfica ajudando a demarcar aquilo que veio a se chamar “cinema de autor”. Bergman com uma inclinação mais psicológica e mais hermética nos brindou com obras primas como Fanny e Alexander, O Ovo Da Serpente, Gritos e Sussurros, O Sétimo Selo. Por seu lado, Antonioni, o Poeta do Tédio, como era chamado, nos ofereceu clássicos a exemplo de Blowup (Depois Daquele Beijo), Zabriskie Point, A Noite, The Passenger (Passageiro - Profissão Reporter). Pessoalmente, sempre gostei mais de Antonioni pelo fato de eu ser um grande fã do cinema italiano e, também, pela sua aproximação explícita com o rock´n´roll. Em Blowup (1966), filmado na Swinging London dos anos 1960, contém aquela cena antológica de um show dos Yardbirds e ainda de quebra as presenças das deliciosamente lindas Vanessa Redgrave e Jane Birkin no auge da juventude. Zabriskie Point (1970), psicodélico, contracultural e de final violento, tem uma trilha sonora que traz Pink Floyd, Grateful Dead e outros. The Passenger (1975), com Jack Nicholson e Maria Schneider, fala da mudança de identidade de um repórter em missão no norte africano envolto em guerrilhas e as conseqüências reais e psicológicas que isso pode acarretar. Já Bergman, talentoso ao extremo, me parecia meio indigesto, complicado e sombrio, costumeiramente retratando relacionamentos conturbados. No entanto era compelido a assistir seus filmes pela curiosidade em seu trabalho cultuado e, mais ainda pelos títulos da sua produção quase sempre geniais - O Ovo da Serpente, Gritos e Sussurros... E, do mesmo modo, não deveria se deixar passar a oportunidade de contemplar a atuação de atores de primeira e, claro, daquela que foi a atriz preferida de Bergman, Liv Ullmann, de beleza gélida e nórdica. É bom lembrar que muitos desses filmes de Antonioni e Bergman eram mutilados ou mesmo censurados no Brasil da era da ditadura militar. Assisti-los, então, era uma comprovação de que você era da oposição e não concordava com o estado de coisas do nosso país. E ainda por cima, eram rigorosamente proibidos para menores de dezoito anos, o que nos levava a fazer grosseiras falsificações da carteira de estudante ou, em determinados casos, até mesmo da carteira de identidade. Alguns porteiros de cinema percebiam que não tínhamos a idade suficiente, detectavam a fraude, batiam o pé e barrava todo mundo. Outros eram mais compreensivos, entendiam a nossa curiosidade cultural e liberavam a nossa entrada. É verdade... Fazer cinema, ir ao cinema e assistir certos filmes já representou uma situação de risco. Julho 30, 2007
GRANDE FESTA
compart - 1995 / 2007 todo esse império de concreto & vidro tende a desaparecer todo ele fenecer ou até mesmo derreter pelas ruas da cidade cada casa, cada beco, cada esquina onde tem banco 24 horas, onde vende cocaína mas se você me permitir nós podemos rodar por aí e encontrar uma grande festa dançar algo doce e selvagem o fogo misterioso que avança começou num dia chuvoso e agora que já faz muito tempo tá difícil controlar o sertão não virou mar, nem o mar virou sertão são necessárias muitas coisas como materiais de construção mas se você me der uma chance nós podemos viver um lindo romance e fazer uma grande festa dançar algo doce e selvagem as ruas da cidade parecem tão vazias não há lugar para ir até nascer o dia noite estrelada é bonita de se ver ela está ao nosso alcance não há motivo para se esconder Julho 27, 2007
FAUSTINO TOMA VIAGRA COM SUKITA
compart / 2007 De uma hora pra outra a ficha caiu para Faustino. E foi quando ele passou a perceber a quantidade e variedade de mulheres jovens, disponíveis e interessadas em coroas como ele. Aí Faustino, cinqüentão menino e ainda bem aprumado, quis aproveitar a onda e entrou numa academia fitness, investiu num guarda roupa mais contemporâneo, mais fashion. Passou a freqüentar os lugares da moda. Os resultados começaram a aparecer e, então, caiu outra ficha para ele. As mulheres tinham mudado, estavam mais exigentes em todos os aspectos e Faustino concluiu que teria de melhorar sua performance, eliminar aquele resíduo de cansaço e ter mais rompante em suas incursões de alcova. Conversando com um amigo sobre este dilema foi aconselhado a fazer uso de um tal comprimido que estava fazendo sucesso entre os homens. A pílula azul, o Viagra. Faustino na sua macheza radical se sentiu ultrajado e reagiu raivosamente argumentando que não precisava de remédio nenhum. O amigo lhe pediu calma e passou a explicar do que se tratava. Falou para ele tirar da cabeça essa coisa de remédio. A pílula azul é só um aditivo para ser tomado de forma recreativa, sem grilos e retirou da carteira uma drágea de Viagra e a deu de presente para o companheiro desatualizado. Faustino ouviu as explicações, mas não levou a conversa muito a sério. Até que uma noite, ao abrir a carteira para pagar a conta e acompanhado de uma bela moça, ele viu o comprimido na carteira e pensou: por que não experimentar? E experimentou, e foi uma espécie de revelação. Que desempenho, que vibração! Sua auto estima bateu no teto, se sentiu como uma criança com seu novo brinquedinho. A partir daí, sempre trazia dois comprimidos na carteira, só que começou a se valer de um hábito que seu amigo conselheiro jamais aprovaria. É que Faustino desenvolveu um vício sorrateiro de roer pedacinhos de Viagra quando emendava um conversa com uma bela moça mesmo sem antes ter a certeza absoluta que iria, de fato, rolar alguma coisa. Claro, não demorou muito e se viu numa situação vexatória. Estando em uma festa conheceu uma garota e uma forte atração mútua pairava no ar e Faustino, de tempos em tempos ia ao banheiro e devorava pedacinhos da pílula milagrosa e voltava cada vez mais confiante, mais sedutor. No entanto, perto de dar o bote final, eis que as amigas da garota se aproximam e a convence voltar para casa com a turma. Não poderia ter desfecho pior já que ele havia roído um comprimido inteiro de Viagra 100 mg e um calor subia pelas suas pernas, pelo seu corpo, seu pescoço. Estava como um dragão, cuspindo fogo e, tomado pelo efeito devastador da pílula azul, Faustino se viu desolado e sozinho na volta para casa... Julho 25, 2007
Julho 24, 2007
Julho 23, 2007
PRECISA-SE DE GOLEIROS
comp art (2007), desenho e pintura sobre papel (2006) O time adversário pressiona, o balão de couro pinica na nossa área e um temor toma conta de todos nós. É que o nosso goleiro não oferece a mínima confiança. Ele não é de todo um frangueiro, mas está longe, muito longe de ser um goleiraço. Afinal, nunca tivemos uma forte tradição em produzir grandes goleiros aqui no Brasil e isso, por certo, deve-se ao fato de que só os menos hábeis com a pelota nos pés sejam sempre escalados para pegar no gol desde as peladas na infância e nos campinhos de futebol improvisados pelo país afora. Barbosa tinha fama de bom goleiro, entretanto, naquela fatídica partida final da Copa de 1950, entregou a rapadura em pleno Maracanã no jogo contra o Uruguai, que terminou o certame como campeão. Gilmar (Santos) e Castilho (Fluminense) foram os representantes máximos da geração seguinte e, sem dúvida, tiveram bons desempenhos tanto em seus clubes de origem quanto na seleção. Mas estavam muito, muito aquém de um Yashin, o Aranha Negra, da seleção soviética. Durante os anos 1960 diversos goleiros ganharam destaque, mas não conseguiram sair da sombra dos veteranos e só se firmaram na segunda metade daquela década. Manga (Botafogo), Félix (Fluminense) e mais tarde, Ado (Corínthians) e Raul (Cruzeiro). Félix foi o titular da seleção vitoriosa da Copa de 1970, porém não passava muita firmeza. Tinha baixa estatura e saía afobado do gol. A geração 1970/80 também não conseguiu romper esse paradigma brasileiro em não produzir excelentes goleiros. Leão (Palmeiras), Carlos (Ponte Preta) e Waldir Perez (São Paulo) eram apenas goleiros regulares, sujeitos a altos e baixos e este último tinha a capacidade de provocar vexames memoráveis. Vale lembrar que a escola sul-americana de goleiros é das melhores, todavia é de bom alvitre incluir o Brasil fora dessa. E quem brilhou mesmo em campos tupiniquins nesta época foram gringos como os argentinos Cejas (Santos) e Butice (Bahia), o uruguaio Mazurkiewicz (Atlético MG) e o chileno Roberto Rojas (São Paulo). Seguros na sua função e posição, com grande carisma e impunham respeito ao time adversário. De 1990 prá cá pouco mudou e só os fanáticos torcedores canarinho é que podem afirmar que os goleiros brasileiros passam credibilidade. Toda vez que Galvão Bueno gritava “vai que é sua, Taffarel” ou “segura a bola, `São´ Marcos”, a torcida tremia de medo. Dida, atualmente defendendo um time italiano, tem boa estatura e, ao mesmo tempo em que pode realizar grandes defesas, pode, também, fazer nefastas domingadas. Rogério Ceni é ok, mas como goleiro é um exímio cobrador de faltas. Enfim, precisa-se urgentemente de goleiros. Não apenas goleiros para pegar no gol, mas goleiros que passem segurança e dêem tranqüilidade à torcida brasileira. E fim de jogo no campo do 4... Julho 20, 2007
Julho 18, 2007
OS BOÇAIS E OS INERTES
comp art (2007) e desenhos sobre papel (1995) O acidente aéreo em São Paulo gera revolta, entretanto não causou surpresa. A boçalidade e arrogância dos políticos brasileiros, do presidente ao mais inexpressivo vereador, não tem limites. Deputados com o bolso recheado pelos polpudos salários fingem que investigam na CPI da crise aérea. Ministros de estado debocham da população – “rezem a Deus”, "paciência", “relaxe e goze”, "é consequência do nosso desenvolvimento" – e se refugiam na segurança máxima dos jatinhos oficiais. E agora, quais serão os bodes expiatórios escolhidos? Quem serão os culpados? As autoridades? Sim. Mas sem dúvida, uma grande parcela de culpa é também da sociedade brasileira. Calada, resignada, anestesiada, abobalhada. Julho 17, 2007
O PÃO & O CIRCO E OS PÂNDEGOS NO PANDEMÔNIO DO PAN
pintura sobre tela / 1998 Em todo Brasil só se fala nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Até parece uma Olimpíada. Uma excelente estrutura de espaço para a prática das modalidades esportivas, cobertura maciça dos meios de comunicação e, para completar, um cenário cinematográfico: a bela cidade do Rio de Janeiro. E eis que na cerimônia de abertura um acontecimento praticamente ofuscou as celebrações: a vaia ao presidente Lula. Parecia que estava tudo pronto para ele fazer um discurso inaugural e o nosso mandatário maior, um homem extremamente esperto (não se iludam!), não iria deixar passar essa oportunidade para, caso fosse recebido calorosamente pelo público, deitar falação emendando mais uma daquelas famosas falas de improviso, cheias de metáforas esportivas, piadinhas bem de acordo com os pronunciamentos que costuma fazer nos eventos fechados. Ou mesmo em solenidades abertas cujos presentes são formados pela claque arregimentada e que sempre estão nos locais onde ele aparece e tira da cartola a sua já folclórica frase: “Nunca antes na história desse país...”. Mas faltou combinar com a platéia, o tiro saiu pela culatra e o mundo inteiro testemunhou nosso presidente ser estrepitosamente vaiado por um Maracanã lotado com noventa mil pessoas. O protocolo foi quebrado e Lula não fez a declaração oficial de abertura dos jogos. O país ficou surpreso com a recepção adversa e as explicações para o fato surgiram aos montes e a mais fantasiosa, claro, não deixa de ser a versão oficial, a versão do governo. Que aquilo foi uma armação, ou nas palavras do Ministro dos Esportes, Orlando Silva, uma coisa orquestrada pela oposição. Menas, Sr. Ministro, menas... A oposição ao governo Lula é desarticulada e praticamente inexistente se comparada com a oposição que o próprio partido do presidente, o PT, fazia em outras épocas. Outra versão não tão fantasiosa, porém altamente perigosa e, mais ainda, perversa é a eterna e ultrapassada luta de classes ainda tão presente nos manuais de certa esquerda de inclinação stalinista. Esta esquerda se auto proclama defensora dos mais fracos financeiramente, quase sempre por conta de expedientes meramente assistencialistas que, no fundo, pouco contribuem para um real equilíbrio da sociedade. E no atual caso brasileiro termina esmagando uma parcela significativa do tecido social, a classe média, penalizada por baixos salários, tributos e impostos escorchantes e, ainda por cima, espezinhada em forma de insultos por parte dos agentes governamentais e seus simpatizantes. É lógico que o público presente no Maracanã não era formado pelos excluídos da Bolsa Família, parcela esta que dá um substancial apoio a Lula. Todos perceberam este fato, mas isso não quer dizer que a condição social de um cidadão o torne melhor ou pior aos olhos dos dirigentes políticos. O líder máximo de uma nação deve ser o representante de todas as classes e não apenas de uma escolhida ao seu bel prazer. E mais, aprendemos com a História que qualquer ação truculenta de um governo contra qualquer que seja o grupo social - mesmo por meio de discursos e palavras, soa como fascismo ou autoritarismo, já que perante a Constituição todos os cidadãos são iguais. E esta postura discriminatória é corriqueira quando escutamos lideranças petistas. É claro que Lula seria ovacionado por um Maracanã lotado por beneficiários do Bolsa Família, mas como bem disse o jornalista Clóvis Rossi em análise sobre o ocorrido, com toda certeza, Lula jamais seria hostilizado num evento da Febraban, a Federação Brasileira de Bancos. Entidade ligada ao grupo que mais tem lucrado com este governo, os banqueiros. Quanto aos jogos e competições esportivas em si, o Brasil melhorou bastante em relação às competições anteriores, já que apresentávamos um pífio desempenho com um amontoado de bronze no quesito medalhas. O papo (furado) de que “o importante é competir” não cola. O Brasil, o gigante da América do Sul, um país rico em potencial tem é de chegar nas cabeças. Temos de entrar na disputa para ganhar o ouro. Sempre. Julho 13, 2007
O SIMCA CHAMBORD NO ESTACIONAMENTO DA MEMÓRIA
pintura e colagem sobre papel - 1998 Eu sempre fazia o meu serviço com a televisão ligada e dava uma parada quando algo interessante passava na telinha. O ano era 1982 e em minha temporada no exterior eu observava as coisas e sempre vinha à minha cabeça um parâmetro com o Brasil. E uma propaganda sempre estava na TV e nela aparecia a linha de montagem de um daqueles incríveis carrões americanos da década de 1950, com suas linhas arrojadas e as indefectíveis traseiras “rabo de peixe”. Carros com design e linhas nunca superadas e que marcaram um tempo. Existia neles uma mística, uma aura de sonho, liberdade e progresso. E o fundo musical desta propaganda que a todo momento estava na TV não poderia ser outro. Sim, ele mesmo, claro, o rock´n´roll. Não sei bem ao certo, mas quando a musiquinha que dava início à propaganda começava a tocar, eu corria para frente da televisão e viajava no tempo e nas coisas do Brasil. E um dia olhando a tal peça publicitária da linha de montagem de um autêntico rabo de peixe, de repente veio à minha mente o Simca Chambord. Ahhh, o Simca Chambord!... Trata-se de um carro que foi produzido no Brasil a partir de 1959 na esteira da política de modernização do país implementada por Juscelino Kubistchek, o presidente bossa nova. O Simca Chambord não era bem um carrão, mas no meio dos automóveis nacionais - Fuscas, Gordinis, Kombis, DKW, Aero Willys - que circulavam nas ruas, era disparado o mais bacana e o mais, digamos, rock´n´roll. Linhas modernas, vidros amplos e um sutil rabo de peixe. Eu olhava a propaganda na TV e dizia para mim mesmo com aquela típica e cafona nostalgia de imigrante quase exilado: - é o Simca Chambord! Dois anos depois e já de volta ao Brasil, eu estava na casa de Marcelo Nova assistindo a uma fita de vídeo (VHS) da MTV americana emprestada por nosso amigo em comum, Osvaldo “Brama” Silveira, e aí surge na tela aquela mesma propaganda da linha de montagem do carrão rabo de peixe. E intuitivamente eu falei: - é o Simca Chambord! Ao ouvir aquilo, Marcelo retrucou de lá: - como é essa história, cara? E a partir daquele exato momento a onda do Simca Chambord passou a ser uma obsessão nossa. Falávamos sobre o carro, sobre a sua época, sobre o golpe militar, sobre aquela coisa de ficar com a namoradinha no banco traseiro, sobre as expectativas de um sonho brasileiro eternamente impossível, sobre a merda brasileira que sempre está rondando as nossas vidas. Meio que inconscientes estávamos fazendo um brainstorm sobre algo que serviu de inspiração para uma canção que, modéstia à parte, se tornou histórica. Um rock´n´roll que, mesmo sendo apenas um rock´n´roll, se transformou num clássico do cancioneiro popular nacional. E numa noite, após mais de um mês de conversas sobre o Simca Chambord e suas variantes, estávamos num restaurante chinês e enquanto esperávamos a refeição começamos a escrever a letra da música na toalha de papel que cobria a mesa e ela veio de uma vez só. Eu escrevia um verso e Marcelo emendava com outro e assim ela tomou forma. Para não esquecer as estrofes da letra e perder o registro daquilo guardamos conosco a toalha de papel com as anotações. Na noite seguinte e com a participação de Gustavo Mullem e Karl Hummel nos violões, a música Simca Chambord já dava sinal de vida. E coisa de dois anos depois, em 1986, após ter sido gravada e ser a faixa de abertura do disco Correndo O Risco, do Camisa de Vênus, ela estourou em todo país sendo executada nas rádios AM e FM, e até mesmo em serviços de alto falantes em pequenas cidades do interior. De tempos em tempos a canção Simca Chambord é bastante citada e relembrada, como em 2004 quando da passagem dos quarenta anos do golpe militar de 1964 e ela foi utilizada como trilha sonora para reportagens sobre aquele episódio da história em uns dois ou três jornais de televisão pelo Brasil afora. Então, desde 1959, passando pelo trauma de 1964, pelo AI-5 de 1968, por todos aqueles anos cinzentos da ditadura militar, pelas Diretas Já em 1984, pela redemocratização e até chegar aos dias de hoje, 2007, com toda essa esculhambação que ainda assola a vida pública nacional, seja com governos militares, civil de direita, centro ou esquerda, o sonho brasileiro continua distante e impossível. E eles fizeram pior, acabaram com o Simca Chambord...
Muita chinfra! Grade frontal e parachoques cromados.
Anúncio do Simca Chambord na Revista Seleções em 1963. clique AQUI e veja o site do Simca. Ainda hei de ter um assim... Julho 10, 2007
"CATIGURIA"
O blog do jornalista Ricardo Noblat, de Brasília, indica diariamente um site/blog nacional como destaque. E para minha surpresa eis que o Miguel Cordeiro Arquivos foi o escolhido em 08 de julho de 2007, domingo passado. Claro que isso dá uma imensa alegria e soa como um reconhecimento e incentivo ao trabalho aqui desenvolvido. Gostaria de compartilhar essa felicidade com todos os leitores que visitam este espaço. PS –clique AQUI para checar a página do blog de Noblat, desça a barra de rolamento lateral e confira a nossa indicação. Julho 9, 2007
O FANTASMA DA ÓPERA
pintura sobre papel (1992) Por trás da cortina sua silhueta era grandiosa por conta da iluminação transversa. O silêncio foi rompido pela voz de soprano da bela diva e um vulto surgiu e pairou sobre o público. Pendurou-se no lustre, fez evoluções e voltou ao palco. O fantasma da ópera andava no tablado fazendo ranger as madeiras do piso. O público não o percebia, mas ele estava em todos os lugares, mexia na bolsa das mulheres, retirava suas argolas de brilhantes. O grito que iniciava outro ato era repetido pelo fantasma da ópera e ninguém ouvia e, no entanto, ecoava nos corredores vazios do teatro. Ao fim da apresentação e em meio ao caos generalizado que estava no roteiro pré-estabelecido, a bagunça ganhava ares de grande arte. O público vibrava calado, os protagonistas corriam pelo palco para todos os cantos emitindo notas musicais que, juntas, alcançavam um ponto próximo ao ruído universal e o fantasma da ópera gargalhava sabendo que ele próprio comandava todos os movimentos de todos os que estavam naquele recinto. Julho 6, 2007
GRAFFITI WALLS FOREVER
grafite sobre tapume de construção - 1982 Numa edição de domingo em novembro de 2004, o jornal A Tarde (Salvador - Bahia), publicou uma grande reportagem sobre grafites, escrita por Zezão Castro e a mim foi solicitado um texto sobre o assunto. Abaixo está o texto e a foto acima é de uma pichação que fiz em 1982, quando o espectro da ameaça nuclear rondava o planeta.
Julho 4, 2007
Julho 2, 2007
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