Agosto 29, 2007

O CRAQUE QUE NÃO DEIXAVA PELÉ SER PELÉ



compart - 2007



Edvaldo dos Santos, o Baiaco, era aquele jogador de futebol que os cronistas esportivos chamam de carrapato. Um marcador implacável que ficava nos calcanhares dos adversários impossibilitando a elaboração e conclusão das jogadas.

Natural de São Francisco do Conde, recôncavo baiano, Baiaco despontou para a fama envergando a camisa do Esporte Clube Bahia ali pelo fim dos anos 1960. Nos primórdios do que veio a se chamar Campeonato Brasileiro, Baiaco infernizava a vida dos craques nacionais mais famosos e habilidosos.

Pelé, Rivelino, Tostão, Jairzinho tinham consciência que jogando contra o Bahia teriam osso duro pela frente. O meio campista tricolor não oferecia moleza e sua eficiência chegava ao ponto de irritar os rivais.

Fossem aqueles tempos os dias de hoje, com toda e absoluta certeza Baiaco estaria jogando nos melhores times europeus e seu passe cotado a peso de ouro. No entanto, a própria conjuntura do futebol de então ainda desprovida do conceito de grande negócio, aliada a uma origem humilde e personalidade tímida e ingênua impediu Baiaco de alçar maiores vôos. Chegou a ser cogitado para jogar em clubes do Rio e São Paulo e vez ou outra seu nome era ventilado para integrar a seleção brasileira.

De pouca escolaridade, o garoto de São Francisco do Conde surpreendia em entrevistas com tiradas inesquecíveis, várias delas incorporadas ao folclore do futebol. Titular absoluto na posição e uma vez contundido e sem escalação confirmada para partida importante contra equipe do sul do país, o repórter lhe perguntou:

- e aí, Baiaco, mesmo com você sendo dúvida para esta peleja, qual a expectativa do tricolor baiano para o jogo do próximo domingo?

E ele respondeu de bate-pronto:

- comigo ou sem migo o Bahia vai jogar bem.




Agosto 28, 2007

LEMBREI-ME DELA AO LER FERLINGHETTI




pintura e desenho sobre papel - 1996


Agosto 24, 2007

OS CANSADOS DE ONTEM E OS CANSADOS DE HOJE



pintura, desenho e colagem sobre papel - 1990



Em junho de 2000, o governador Mário Covas enfrentava uma batalha contra um câncer terminal quando se viu cercado numa espécie cárcere e detido no interior da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Ele estava impedido de sair do local pela truculência e ameaças enquanto do lado de fora servidores em greve aliados aos bravios e, então, “cansados” militantes do Partido dos Trabalhadores protestavam sob a liderança do deputado federal José Dirceu.

E o Brasil inteiro viu nos jornais da televisão o discurso do manda-chuva petista em que ele dava uma ordem aos seus companheiros:

- vamos bater neles nas urnas e nas ruas!

E Mário Covas que sempre foi um político destemido, um competente governador e um dos mais brilhantes e aguerridos opositores ao regime militar brasileiro (1964-1985), não titubeou. Avisou em alto e bom som que não seria impedido de sair de um prédio público e se dirigiu até o portão da secretaria e enfrentou de peito aberto os “cansados” de ontem que ali estavam entrincheirados.

Resultado: foi agredido fisicamente. E pela segunda vez consecutiva, já que dias antes havia recebido uma paulada na cabeça com o mastro de uma bandeira (petista?). E assim o Brasil assistiu através da TV o sangue escorrer pela face de Mário Covas.

Como eram “cansados” e extremamente violentos determinados personagens que hoje acusam de golpistas as pessoas que fazem críticas ao governo Lula. Ah, o PT... Nunca antes na história desse país um partido político faz uso, enquanto governo, de práticas tão contrárias àquilo que pregava quando oposição.

Tancredo Neves era a brecha possível para selar o fim da ditadura militar? O PT foi contra essa opção. A Constituição de 1988, com todos os seus defeitos, foi uma forma de ajuste às novas realidades? Pois ela foi promulgada sem o voto do PT. O plano Real, com todas as dificuldades, estabilizou a nossa combalida moeda? O PT fez acirrada campanha contra, mas agora colhe os frutos disso e ainda posa como pai da matéria. CPMF, Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista? Idem. O PT era visceralmente contra tudo, agora é agressivamente a favor. E se estas coisas são benéficas para o país, por que não as apoiavam antes? Demagogia de palanque para alcançar o poder, pura e simples. Pensavam apenas neles, nada mais.

O tal movimento “Cansei” tem algo esnobe, é certo. Alguns de seus integrantes não são lá exemplos de moral cívica, claro. No entanto, eles têm todo o direito de manifestar sua insatisfação ou até indignação. Acusam Hebe Camargo de malufista? E o que dizer de Paulo Maluf, o próprio, que agora é lulo-petista desde criancinha? Só pode ser piada, não é mesmo?

Afinal, se o simpaticíssimo Zé Dirceu chegou ao extremo de pedir aos camaradas para bater, literalmente, em quem era governo, por que, hoje, ninguém pode protestar contra o governo do qual ele (ainda) faz parte? Vários dirigentes petistas a começar pelo próprio Zé Dirceu lembram muito aquela abjeta figura do Inspetor de Quarteirão.

O famoso ditado anarquista “há governo, sou contra” deveria ser seguido à risca por todos brasileiros que se julgam conscientes. Neste pedaço de terra onde se plantando tudo dá, seja qual for o partido que ocupe o poder ele sempre vai agir contra os interesses da população e a favor dos seus próprios.

No Brasil, desde o longínquo e fatídico 22 de abril de 1500, a lona do circo sempre foi, é e sempre será do mesmos e únicos donos, aqueles que exercem o poder. E as roupas de palhaço, inclusive os narizes, são peças do vestuário dos cidadãos.




Agosto 22, 2007

RECEBER A GALINHA PULANDO...



pintura e desenho sobre papel - 2000



Os antigos diziam que por conta da Segunda Guerra Mundial muitos foram os navios militares norte-americanos que atracavam no porto de Salvador e o convívio dos estivadores com os gringos fez com que surgisse um certo dialeto que recebeu o nome de Inglês de Cais de Porto.

Era uma mistura impensada de palavras em língua portuguesa e inglesa que permitiam facilitar o diálogo e a comunicação entre eles. Uma tentativa de superar as barreiras do idioma, uma apropriação quase antropofágica dos termos estrangeiros pelos nativos e, também, fazer entender aos marinheiros ianques as manhas das gírias locais.

Testemunhas afirmam que esta prática se tornou uma coqueluche na cidade e alcançou os mais variados círculos sociais. Ainda cheguei a conhecer um daqueles estivadores do cais de Salvador e ele gostava de tirar onda com o pessoal sacando da cartola frases como:

- o cara procurou presepada e recebeu a “xíkên jámpin”.

Falava aquilo com a maior naturalidade. Isto traduzido para o bom e malandro português praticado nas ruas da velha Bahia significa, “a pessoa quis criar confusão e recebeu a galinha pulando”. Ou seja, uma duríssima resposta à altura.

Deste modo, pode se imaginar quais mímicas, gestos ou sinais que eram feitos para que os americanos pudessem compreender o que seria receber a “galinha pulando” até se chegar ao “chicken jumping”.

Eram diversas as expressões deste tipo. E se os próprios patrícios brasileiros ficam surpresos com a multiplicidade de palavras jocosas e mundanas que só são faladas nas ruas de Salvador, imagine a reação de um estrangeiro ao saber o que representa “rebocado e piripicado” ou “sair catando ficha”...

Como traduzi-las para outra língua? A Bahia, terra dos absurdos mais absurdos, arranjou um jeito e adaptou à sua realidade o Inglês de Cais de Porto.




Agosto 20, 2007

DE ONDE VIEMOS? O QUE SOMOS? PARA ONDE VAMOS?




comp art (2007) e pintura sobre papel (1996)





Numa noite gélida do inverno europeu ele descobriu que não havia mais sentido caminhar pelos boulevares parisienses e, muito menos, conviver em meio ao seu ambiente artístico. Algumas estações depois e milhares de milhas marítimas longe dali o perfume do jasmim manga se espalhava pela atmosfera e naquele exato momento Gauguin percebeu que jamais retornaria à Europa.

Ele já tinha estado no Taiti anos antes e agora estava voltando pra ficar. Desde a primeira estadia o calor e as fortes cores da ilha tropical mudaram para sempre sua percepção assim como a sua arte. Em Papeete sua criação se tornou majestosa, pintou obras primas, mas teve que enfrentar dificuldades financeiras, lidar com sérios problemas de saúde e se envolveu em constantes desentendimentos com autoridades políticas e religiosas locais.

Gauguin despachava sua produção para a França e lá chegando ela era mostrada em restritos círculos, alimentando e aumentando o burburinho em torno do pintor misterioso e temperamental que abandonara a civilização européia para viver numa ilha no meio do Oceano Pacífico. No entanto, a fama crescente não era suficiente para que suas obras fossem valorizadas no mercado e o relógio do tempo corria contra Gauguin. No início de maio de 1903 ele vem a falecer em Atuona, vilarejo localizado numa ilhota ainda mais remota de nome Hivaoa, Arquipélago das Marquesas.

Meses depois, ao tomarem conhecimento da morte de Gauguin, os amigos e agentes parisienses organizam uma grande mostra dos trabalhos feitos por ele, a maioria destes produzidos no Taiti. E ao serem admirados pelo grande público de uma Paris já no limiar de um novo século, ávida por novidades e infestada por idéias vanguardistas, a arte de Paul Gauguin, finalmente, recebe o seu justo reconhecimento.




Agosto 15, 2007

ELVIS LIVES!!!



pintura e desenho sobre xerox / 2004



grafite Elvis / 2004



he went to the jailhouse rock
instead of heartbreak hotel
drove all night to memphis
down the road he knew it so well
dinnertime american dream
the pelvis showed up on TV
daddy hated him mama didn´t like him
oh no, they couldn´t agree

the truck driver was caught in a trap
on the end of the long lost highway
drank so much swallowed everything
just to keep him awake
running from the cold in search of the sun
he was at the school in tupelo 1945
but when stared at the mirror
he was singing in vegas in the winter of 1969

over the ocean far from home
time has come change inside
join the army learn the rules
hollywood hello rock´n´roll bye bye

(1999)






Elvis, ainda garoto e inconsequente, lidera o motim com o Rock da Casa de Detenção.



Elvis, já maduro e encurralado, destila emoção em Suspicious Minds.



Agosto 13, 2007

DOIS PERDIDOS NO PARAÍSO
(O ÓDIO EMBUTIDO NO ESPÍRITO PATRIOTEIRO)



pintura sobre papel - 1998



Um avião militar cai no mar ao largo da Micronésia, oceano Pacífico. Corriam os últimos anos da Segunda Guerra Mundial e a referida região era palco de batalhas entre forças inimigas: de um lado os norte-americanos e do outro, os japoneses. E a aeronave pilotada pelo marine ianque que faz um vôo rotineiro de patrulha sofre uma pane. O piloto sai ileso e alcança uma remota ilha deserta de exuberante paisagem tropical.

Aí tem início uma luta pela sobrevivência, dia após dia, solitário num ambiente inóspito. Incursões ilha adentro, nenhum sinal de gente, o ruído dos ventos, o barulho das ondas na praia. Subitamente, numa dessas jornadas, o marine, assustado e entocaiado, observa um outro habitante.

Também ali perdido, um militar da força aérea japonesa, pelo visto, enfrentando as mesmas dificuldades. E assim começa uma peleja no minúsculo ambiente da ilha com os dois homens encarnando suas funções para as quais foram escalados, cada qual representando suas origens conflitantes e que por um acidente do destino se vêem em situações idênticas. Eles têm que fazer uma escolha: destruir um ao outro por uma questão de posições antagônicas nacionalistas, ou se aliarem numa busca de alternativas para que possam voltar ao convívio dos seus.

A hostilidade entre eles que de início é tão brutal vai dando lugar a uma aproximação amistosa. A barreira do idioma parece ser tão intransponível quanto o oceano que os rodeia. Sinais, grunhidos, gestos. O ser humano, as diferenças, a guerra e a natureza contra todos. A vocação gregária superando as barreiras. Tornam-se amigos.

Numa caminhada pelo território da ilha, eles sobem uma montanha e lá no topo uma inesperada surpresa. Um prédio, na verdade uma casamata, um bunker com suprimentos militares, roupas, alimentos e os antes “selvagens” parceiros decidem se civilizar. Fazem a barba, alinham os cabelos, vestem uniformes, se fartam com uma boa refeição, fazem brindes embalados por várias garrafas de bebida e, então, toda a carga anterior patriótica e individual que eles traziam dentro de si vem à tona e uma discussão acalorada explode entre eles.

E o desfecho... Bem, o desfecho eu não vou contar porque isso tudo é um filme chamado Inferno no Pacífico (Hell in the Pacific). Um clássico de 1968, dirigido por John Boorman que mostra o desempenho de dois atores magníficos: Toshiro Mifune (um dos favoritos de Akira Kurosawa) no papel do oficial japonês e Lee Marvin (que atuou em diversos westerns) como o marine norte-americano. A força interpretativa dos dois neste filme praticamente sem diálogos faz de Inferno no Pacífico uma das melhores películas já realizadas sobre o tema da guerra.

Não deixem de assistir.









Agosto 12, 2007

O SEGREDO





desenho, pintura e colagem sobre papel - 2000



Agosto 9, 2007

LA STRADA NUNCA TERMINA



pintura sobre madeira, ferro e plástico - 1989





depois da curva tem uma casa abandonada que serve para quem passa por ali
quem vem pra cá e quem vai pra lá podem conversar e contar o que encontraram no caminho
dividir um café antes de atravessar a ponte de madeira
ou até descansar depois de apagar a lamparina
no chão batido feito o chão da estrada que nunca termina

na manhã seguinte é sempre o momento de partir quando não há mais nada a fazer
o que se esqueceu e o que se levou ficou guardado
cruzar pelas trilhas com quem vem e falar sobre as novidades
existem coisas que não se aprendem nem se ensina
nas trilhas pisadas da estrada que nunca termina

por trás dos morros as nuvens surgem e avisam o que está por vir
sol ou chuva deixam marcas como sinais
descobrindo vestígios de quem ali esteve como souvenires abandonados
e não há como ignorar até chegar à última esquina
depois de percorrer cada pedaço da estrada que nunca termina

o vento que traz o perfume dela mesmo estando tão longe na memória ou no presente
e acompanha feito sombra impregnado nas roupas e na pele
a voz dela que parece sussurrar no ruído das folhas secas voando pelo ar
os pés não respondem ao desejo de mudar de rumo
sob a luz da lua na areia que reflete e ilumina
feito visões a cada curva da estrada que nunca termina




Agosto 6, 2007

RUMO À ESTAÇÃO HAVANA




desenho sobre papel - 2000




É uma sucessão de cenas humilhantes.

Na véspera do encerramento dos Jogos Pan-Americanos do Rio, uma ordem expressa de Fidel Castro foi ditada para que a delegação cubana voltasse imediatamente ao país por conta de boatos que estaria programada uma deserção em massa dos seus atletas.

Ainda na fase inicial das competições, dois boxeadores que integravam a equipe cubana fugiram da concentração com o intuito de não voltarem mais à ilha caribenha. Buscavam asilo político.

Semanas depois eles são “presos” pelas autoridades brasileiras e despachados de volta para Cuba. Mesmo com os atletas alegando que estavam arrependidos e que desejavam retornar à sua terra natal, qual a verdadeira versão para esta história?

Curioso a mudança de opinião deles, intrigante a agilidade com que os atletas foram encontrados pelas autoridades brasileiras. Estariam elas agindo a um pedido-ordem dos companheiros que governam Cuba? Alguns levantaram a semelhança deste caso com o de Olga Benário, mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes, a qual foi entregue pelo governo de Getúlio Vargas para morrer nas mãos dos nazis alemães. E, em termos, a comparação procede.

O que poderá acontecer com estes dois boxeadores ao retornar a Cuba? Serão conduzidos ao calabouço? Serão punidos exemplarmente? Serão vigiados ou perseguidos? Serão, numa situação extrema, fuzilados no paredón? Isso só o tempo dirá, mas uma coisa é quase certa: eles serão excluídos da equipe cubana e dificilmente voltarão a participar em competições internacionais.

A ilha de Fidel vai ficando cada vez mais isolada do mundo contemporâneo, se tornou uma caricatura obsoleta de um cenário temático de uma utopia que não existe mais e que, experimentada, não deu certo.

Sim, e como justificar o sumiço de Fidel? Estará ele vivo ou morto? Como explicar o fato dele não aparecer em público há um ano, contraditoriamente, ao mesmo tempo em que são noticiadas e publicadas suas declarações e algumas fotos controversas?

E se o papa João Paulo II já em estado terminal e debilitado fazia questão de aparecer nas janelas do Vaticano e acenar para os fiéis, por quê, cargas dágua, Fidel não surge numa daquelas janelas do Malecón e faz um gesto que seja para os seus súditos? Tem angú nesse caroço...

Aliás, só tem caroço no angú da cena política de Cuba onde as liberdades individuais são restritas e onde o poder é propriedade da família Castro. Por quanto mais tempo e até quando a estrutura de poder dos Castro, cada vez mais ultrapassada e corroída pelo salitre trazido pelos ventos do mar do caribe se sustentará?




Agosto 3, 2007

A TEMIDA E ENCANTADA COLHER DE PRATA DO REI DO CANGAÇO




desenho e pintura sobre papel - 1993



Ali por volta dos dez anos, eu voltava da escola e passando pela porta do Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues resolvi dar uma entrada. Lá existia um salão onde ficavam expostas coisas muito esquisitas. Esqueletos, animais atrofiados, fetos deformados. E de repente, percebi que estava hipnotizado frente às cabeças decepadas e empalhadas de Lampião e outros integrantes do seu bando.

A gente ouvia as aventuras do rei do cangaço pelas terras nordestinas como relatos de contos medievais. Pessoas mais velhas, nascidas no sertão, falavam terem testemunhado o bando de Lampião chegando em suas cidades e os observavam com as pernas trêmulas, olhando pela fresta da porta de madeira a invasão dos cangaceiros cavalgando pelas ruas desertas em suas vestes de couro e armados de carabinas e parabéluns.

Lampião não era um cara trouxa. Ele tinha conhecimento que eram inúmeros aqueles que queriam eliminá-lo e, assim, ele procurava se proteger de todas as formas. E uma das histórias que mais nos impressionava era ouvir que, por receio de ser envenenado, o líder dos cangaceiros trazia no seu bolso uma pequena de colher de prata. E a cada vez que a ele era oferecido um café ou um chá, ele retirava a colher de prata do seu jaleco, colocava na xícara e caso ela escurecesse era sinal de que tinham posto veneno em sua bebida.

E aí, a ira tomava conta de Lampião e as conseqüências eram imprevisíveis ou as piores possíveis.