Janeiro 29, 2008

RADIOHEAD

QUANDO A PRETENSÃO PROG ROCK ENCONTRA O HYPE MARKETEIRO




pintura sobre papel - 1988





Recebo e-mails e pedidos de amigos para que eu fale sobre a banda Radiohead e todo esse burburinho em torno do seu mais recente trabalho, In Rainbows.

Pessoas próximas a mim sabem que eu não gosto do grupo liderado por Thom Yorke. Reconheço que o Radiohead é uma banda que tem lá os seus (poucos) méritos, mas acho que é por demais (e põe demais nisto) supervalorizada.

Ali por volta de 1972/74 a garotada “antenada” da época estava ligada na onda do rock progressivo e este gênero que de início foi interessante foi ficando cada vez mais insuportável, cheio de pompa, presunçoso ao extremo e feito por músicos tirados a homens sérios e pretensiosos. E aí, de repente, vieram os Rolling Stones com uma genial molecagem que deu uma enquadrada naqueles meninos-velhos do rock progressivo.

It´s Only Rock´n´Roll (But I Like It).

E esta mensagem permanece imune ao tempo e cai com uma luva para todo esse povo que fica dizendo que o Radiohead é a oitava maravilha do mundo, que eles estão fazendo uma revolução e outras bobagens. O Radiohead é um dos grupos mais enfadonhos já surgidos e faz lembrar aquelas mesmas bandas do prog rock que produziam um som que chamávamos “bolo de noiva”. Muita espuma, muito confeito e chantilly pelo lado de fora e dentro aquele bolo de padaria mixuruca.

Não tem nada que o Radiohead faça que o Pink Floyd ou o King Crimson não tenham feito em melhor qualidade, mais autenticidade, risco, periculosidade e desafios com os trabalhos Atom Heart Mother e Ummagumma, e Lark´s Tongues In Aspic e Red, respectivamente. Nada a ver com saudosismo ou nostalgia. Existem na atualidade bandas bacanas aos montes com trabalhos e propostas superiores ao Radiohead.

Porém uma coisa é louvável no Radiohead. Eles são revolucionários do ramo dos negócios (sic). Esboçaram uma revolução na área do marketing comercial do showbizz com esta estória excessivamente propagandeada de disponibilizar o álbum In Rainbows pela internet. Inclusive, uma iniciativa que não tem nada de pioneira, diga-se.

Ao agir desta maneira e apoiado numa mega operação publicitária o Radiohead tirou a atenção da música que estão apresentando no disco e direcionaram o foco para o business da empreitada. Uma estratégia inteligente, sem dúvida. Algo bem pós-moderno, já que hoje, segundo os teóricos descolados, o que menos importa é a criação ou a arte em si e mais vale o marketing. E a mídia novidadeira que sempre anda de braços dados com os departamentos comerciais das gravadoras estão falando maravilhas do Radiohead.

A rotatividade de investimentos em valores artísticos despreparados, a consolidação da direção comercial no produto cultural, a reciclagem sem fim de fenômenos hype ancorada em análises de críticos deslumbrados e sem nenhuma bagagem de informação histórica, a volatilidade das propostas descartáveis, a medíocre mentalidade gerencial domina todas as escalas da indústria da música pop.

O Radiohead é alardeado como uma coisa nova, no entanto não tem nada de novo e não passa de uma banda conservadora e maquiada de acordo para enganar garotos que nunca se interessaram em ouvir Ummagumma, do Floyd; mas que consideram Ok Computer, Kid A, Amnesiac e Hail To The Thief (álbuns anteriores do grupo de Thom Yorke) como trabalhos radicais esteticamente falando.

A pretensão é a maior inimiga do rock e a história já provou isso inúmeras vezes e não vai ser o Radiohead que vai desfazer essa máxima.

Porém, uma coisa é mais que certa: o hype é o ayatolá do rock contemporâneo.






It´s only rock´n´roll. Prá que complicar, Mr. Yorke & Cia?



Janeiro 27, 2008

O HOMEM QUE VEIO DO ESPAÇO




compart e pintura sobre papel - 2008





De uma forma ou de outra, todo mundo acredita nestas histórias sobre discos voadores. Quem não tem um amigo que já relatou uma visão de um objeto luminoso fazendo evoluções no espaço?

Eu mesmo já vi luzes estranhas se movimentando no céu enquanto trafegava numa rodovia. Era tarde da noite e esta luz se deslocava em alta velocidade e em várias direções. Um primo que acompanhava a viagem logo tratou de desfazer a hipótese de ser uma espaçonave vinda de outro planeta.

- isso é coisa da CIA operando naves americanas para espionar outros países...

Sempre tem alguém para derramar água no chope dos outros.

Teve até um fato interessante sobre esse negócio de discos voadores que ocorreu durante um vôo comercial em território brasileiro. De repente foram avistados alguns objetos luminosos que seguiam o avião e os passageiros olhavam incrédulos pelas janelinhas os UFOs que estavam a uma média distância.

A bordo estava presente um cardeal da Igreja Católica e ele, de imediato, tratou de desfazer o que todos presenciavam e disse que não via nada e que os passageiros estavam tendo uma espécie de transe coletivo. E numa ação rápida fechou a janela ao lado do seu assento, reclinou a poltrona e disse que iria dormir.

É realmente complicado para quem acredita piamente nos dogmas religiosos ver seus rígidos princípios desabarem perante algo de cunho científico. Sim, porque mesmo sendo um assunto envolto em muita picaretagem e fantasiosismo, o tema dos UFOs traz em si uma carga profundamente científica. Afinal, como explicar uma geringonça flutuando no ar e emitindo sinais de luz?

Relatos sobre discos voadores existem aos montes, porém cabuloso mesmo são os exemplos de contatos imediatos e de abdução, quando um terrestre é levado para dar uma voltinha no espaço sideral. Aí, neste caso específico é que a porca torce o rabo.

Conheci um homem em Brasília que diz ter sido abduzido por ETs e que teria passado três dias viajando pelo universo. Contava passagens dessa aventura pelas galáxias com tanta firmeza e segurança que era quase impossível não acreditar nas suas palavras.

A experiência, a emoção da velocidade vertiginosa nos deslocamentos, as paisagens dos outros planetas, as pesquisas às quais foi submetido.

Achei o cara meio lunático, contudo pessoas próximas a ele e que não tinham nenhuma ligação com a Ufologia afirmavam que quando ele retornou da jornada interplanetária apresentava por todo seu corpo manchas no formato de um círculo perfeito que perduraram estampadas em sua pele por exatos dez dias.

Mostraram fotos daquele homem com estas marcas no corpo. Depois me apresentaram um laudo com firma reconhecida de entidades médicas dando conta que as manchas foram provocadas por algo completamente fora do alcance da medicina atual.

Algo misterioso e indecifrável.




Janeiro 24, 2008

METROPOLIS METROPOLIS




desenho, pintura e colagem sobre papel - 2004





diga adeus para aquele sentimento melancólico de cidade pequena que toma conta de nós quando estamos no interior de um país atrasado numa tarde de domingo.

the little town blues.

esqueça os passeios esburacados das ruas do terceiro mundo e suas avenidas mal asfaltadas cujas sarjetas têm quase meio metro de profundidade.

metropolis metropolis.

nos seus limites não existem casas de materiais de construção poeirentas com atendentes preguiçosos no balcão de atendimento, nem depósitos de ferro velho com serralheiras ensurdecedoras desperdiçando pedaços de metal que, ajuntados fossem, construiriam um prédio.

olhe para os anúncios de luz neon acesos por toda a noite, pessoas solitárias conversando em grupo ou falando sozinhas, gente feliz e infeliz, pedintes bem vestidos, telefones públicos aos montes e que funcionam, milhares de milhões de papéis e folhetos de propaganda pelo chão, cartazes feito pinturas modernistas, jornais, livros e hidrantes vermelhos nas esquinas.

metropolis metropolis




Janeiro 22, 2008

AS EMBARCAÇÕES QUE SE PERDERAM DA FROTA DA FAMÍLIA REAL NA VIAGEM PARA O BRASIL



desenho e pintura sobre papel - 2000





Em meio à travessia do Atlântico da esquadra que trazia a família real portuguesa, três embarcações cujos integrantes eram ricos comerciantes não escravagistas e que negociavam especiarias com países do norte da Europa se rebelaram e com o apoio de militares da Marinha inglesa se amotinaram e tomaram a decisão de não acompanhar a Corte de Portugal até a cidade de Salvador.

Eles mudaram sua rota em alguns graus e se perderam de vista da frota principal e rumaram para a Baía de Camamu. Escolheram uma região de difícil acesso onde pretendiam estabelecer uma espécie de colônia independente e ali iniciaram uma área de livre comércio com mercadores piratas de várias nacionalidades. O negócio floresceu e suas atividades chegaram ao conhecimento de instituições financeiras européias.

Esta colônia separatista perdurou por quase quarenta anos, mas as dificuldades de todas as espécies que os novos habitantes enfrentavam fizeram com que os objetivos não se concretizassem e cansados pelas dificuldades, moléstias e a inadaptação ao forte calor tropical, pouco a pouco foram abandonando a região.

Os que já estavam adequados à realidade brasileira e já familiarizados com as normas comerciais com a experiência das transações clandestinas escolheram Salvador ou o Rio de Janeiro para montar suas empresas particulares.

Aqueles que enxergaram sua iniciativa com uma aventura equivocada nos trópicos e ainda mantinham vínculos com a aristocracia comercial européia cruzaram de volta o oceano e levaram histórias que encantavam os salões do Velho Mundo.




Janeiro 20, 2008

DIAS MELHORES VIRÃO



pintura, desenho e colagem sobre papel - 2004




Por três caminhos ele já passou e acha que perdeu tempo demais e enquanto anda descalço pelo asfalto quente que parece derreter ao sol do início da tarde, três visões chamaram sua atenção.

Na primeira, o passado que ficou na esquina quebrada de uma cidade em ruínas estampada numa folha de jornal levada pelo vento e a esta cidade ele não mais retornaria.

Na segunda visão, colunas de vento canalizado numa cor acinzentada se projetam para o céu e trazem de volta pedaços de uma nuvem que não mais produzirá chuvas.

Na terceira, depois de um tempo que parecia infindo, ele percebe as horas que não determinam o presente a que estamos acostumados a acompanhar e a partir dali tudo que ele desejasse estaria ao seu alcance.




Janeiro 18, 2008

CRY A WHILE


As letras das canções de Dylan são repletas de imagens. Algo cinematográfico.

Cry A While é uma música do disco Love And Theft (2001), e depois de ouvi-la algumas vezes, me flagrei desenhando uma espécie de história em quadrinho baseada nos seus versos.

Aí está ela...












desenho sobre papel - 2001



Janeiro 16, 2008

A LUTA PERDIDA DOS ANARQUISTAS NOS TEMPOS DO POLITICAMENTE CORRETO



compart - 2007




Foi Nelson Rodrigues quem cunhou a expressão “Botecos Ideológicos” para se referir a bares badalados, freqüentados por pessoas influentes onde o embate das idéias sempre resvala para as posições políticas.

E os anarquistas estão levando uma tremenda desvantagem nos botecos ideológicos de hoje, tempos do politicamente correto em que se tornou uma heresia, um pecado mortal ter um raciocínio que destoe do bom mocismo que norteia todo e qualquer posicionamento ideológico e intelectual.

Tão ridículo e patético quanto ouvir um direitista defender um governo reacionário e conservador, é escutar um esquerdista defender um governo, igualmente, reacionário e conservador.




Janeiro 14, 2008

DRUGSTORE ALTENATIV




pintura e colagem sobre papel - 2008



Janeiro 11, 2008

SCREAM MEANS SCARE

TEMOR E APREENSÃO NOS TRILHOS SUBTERRÂNEOS



pintura e desenho sobre papel - 1982





Sabe o que significa tomar o metrô lá pelas três horas da manhã e entrar naquela estação toda pichada e o fedor de mijo corroendo seu nariz e você se sentir perdido, olhando diversas escadas que deveriam levar ao seu destino e você ficar sem saber qual é a certa enquanto um bêbado quase escorneado vomita a 28 cm de você e um louco declama um dialeto incompreensível amplificado pelo eco das paredes subterrâneas e um cara com a aparência muito mais pesada que a sua passa apressado demonstrando pavor e terror no rosto e de tempos em tempos um grito desesperado certamente vindo de outra galeria chega aos seus ouvidos e, no entanto você ainda está perdido?



Janeiro 9, 2008

A TELEVISÃO ANULA A TELEFONIA NA GRELHA DOS MANOS



desenho sobre papel - 1999





Os gregos não tinham papel: o papiro era caro, reservado para os documentos e não adequado para desenho. Assim, a superfície dos vasos era o papel de desenho para os artistas.

Por volta do verão de 415, um incidente deixou Atenas em polvorosa. Ao amanhecer, as pessoas perceberam que os pênis eretos das estátuas de Hermes haviam sido mutilados em toda cidade. Estas estátuas existiam às centenas em Atenas, não só em áreas privadas como também nos espaços públicos.

As gravuras impressas começaram a difundir-se na vida e no pensamento da Europa Ocidental no século 15. Até onde as evidências apontam e nos permite imaginar, no ano de 1400 havia poucas gravuras impressas no território europeu. E são raríssimas as que são datadas antes de 1460. Em 1493, um gravador de Nuremberg chamado Hans Mayr editou catálogos ilustrados de objetos preciosos que pertenciam a diversas catedrais germânicas.

A palavra “Moderno” foi um termo utilizado pelos humanistas patrísticos como uma forma de censura contra os acadêmicos medievais que desenvolveram uma nova lógica e física.

E James Joyce afirmou em Finnegans Wake:

“A televisão anula a telefonia na grelha dos manos”.




Janeiro 7, 2008

GALERIA DOS PRESIDENTES DO MEU TEMPO # 03

CASTELO BRANCO




compart - 2007




Estamos nos primeiros meses do ano de 1964 e no país que vive eternamente deitado em berço esplêndido a ocorrência de um brusco acontecimento político já esperado e de certa forma anunciado que foi a tomada do poder pelos militares.

O Brasil estava dividido em dois blocos: de um lado os que se situavam à esquerda e acreditavam nas mudanças estruturais prometidas pelo governo João Goulart que, garantiam eles, beneficiariam os menos favorecidos, as classes operárias urbanas e rurais. Do outro lado, uma direita conservadora que temia estas supostas transformações, as quais fatalmente levariam a uma perda dos seculares privilégios deste setor.

A verdade é que o país estava vivendo um período muito turbulento de bagunça quase generalizada e, queira ou não, tudo e todos conspiravam contra Goulart, inclusive alguns aliados. E aí, em 31 de março de 1964 os militares tomam o poder da mão dos civis e estes grupos antagônicos citados acima logo trataram de batizar o evento de duas maneiras.

A direita chamou de Revolução, a esquerda tachou-o como Golpe Militar de Estado e ambos os lados o apelidaram de Redentora, com ou sem ironia. No entanto, a data em si da Revolução ou Golpe de Estado já trazia em si uma controvérsia, uma piada bem de acordo com essa vocação brasileira para o patético e a falta de seriedade dos seus fatos históricos.

É que a Redentora teria se concretizado no dia seguinte, primeiro de abril (sic), mas por motivos mais que óbvios ficou como se fosse no dia anterior mesmo, 31 de março. E a parte sem graça da piada veio com o primeiro presidente oriundo dos quartéis – o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Cearense, atarracado e sem pescoço, cabeçorra, feio pra chuchu e, a partir dele, por um longo período e mesmo a contragosto, tivemos de engolir presidentes trajando uniformes verde oliva sob uma atmosfera cada vez mais ameaçadora.

Porém, dizia-se que Castelo Branco era um liberal que assumiu o posto de presidente para ficar por um breve tempo até as coisas se acalmarem e que seu desejo era convocar eleições diretas em todos os níveis para 1965. Doce ilusão, pois os militares da linha dura logo tomaram as rédeas da administração e então começaram as cassações dos direitos políticos, a perda de mandatos daqueles não confiáveis, a miscelânea de agremiações partidárias foi extinta e foram instituídos apenas dois partidos: Arena (governista) e MDB (oposição).

O país foi mergulhando num regime de exceção, numa ditadura que parecia não terminar nunca. O respeito quase amedrontado perante os milicos era de tal modo que muitos pais viram-se obrigados a impor uma espécie de freio no ímpeto dos filhos menores de idade que antes viviam numa atmosfera de liberdade.

Repentinamente passamos a temer de corpo, mente e alma tudo ou qualquer coisa que tivesse um vínculo sequer com o militarismo, chegando até ao cúmulo de suar frio com o simplório apito do guarda noturno ou com o olhar vigilante de qualquer tipo de policial. Para se ter uma idéia, uma vez a turma jogava futebol na rua e ao chegar uma viatura para confiscar nossa bola, um amigo cujos pais tinham uma notória posição política contrária aos milicos, se urinou todo de pavor só em ver a aproximação dos caras fardados.

E a escalada de restrições foi aumentando com a censura à imprensa, o fechamento do Congresso, prisão e exílio de opositores e o desejo de democracia de Castelo Branco foi por água abaixo e aí nos restou a escuridão, o obscurantismo que durou vinte loooongos anos.

Em 1967, assume a presidência do Brasil o marechal Arthur da Costa e Silva e, meses depois, Castelo Branco morre de forma trágica num estranho acidente de avião no Ceará logo após uma visita à fazenda da escritora Rachel de Queiroz.




Janeiro 4, 2008

INICIAÇÃO AO MUNDO DE WILLIAM BLAKE NUM PARQUE DE LONDRES



compart - 2007




Assim como todo e qualquer visionário adiante do seu tempo, William Blake não teve o merecido reconhecimento em vida mesmo com a relativa fama que obteve à época. Influenciou gerações séculos posteriores. Baudelaire, Aldous Huxley, Ginsberg, Jim Morrison.

Uma amiga que morou em Londres me contou sobre um episódio interessante que aconteceu enquanto ela caminhava num parque da capital britânica. De repente apareceu um senhor de idade com uma vela na mão em plena luz do dia e ele distribuía aos passantes edições de bolso de Blake e repetia uma frase:

- não atreva dizer que você é maior que seu mestre, pois isto é o mesmo que empunhar uma vela sob a luz do sol.

Uma vez eu estava em um sebo de livros em São Paulo quando dei de cara com um livro de William Blake. Foi há um enorme punhado de anos atrás, era uma publicação em língua inglesa e ao folheá-la dei de cara com algumas citações que eu já conhecia inclusive esta escrita acima.

Levei comigo o tal livro e a partir deste dia tornei-me, repetidas vezes, um leitor voraz do autor. Porém, mesmo já tendo visto alguns exemplares, ainda não possuo um daqueles livros ilustrados pelo próprio Blake e cheios de imagens fantásticas.




Janeiro 2, 2008

FAUSTINO






desenho sobre papel - 2002